Comunidade dos Estados da África Central suspende Gabão e exige eleições

O Gabão foi suspenso da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), que exigiu a realização de eleições no país “o mais rapidamente possível”, depois do golpe de Estado da semana passada.

A decisão saiu de uma reunião extraordinária da organização, realizada esta segunda-feira (04.09) na Guiné Equatorial, país que passará a assumir a Presidência e a sede da CEEAC, considerando que Ali Bongo, que era o presidente em exercício da organização desde fevereiro, foi deposto pelos autores do golpe de Estado, revelou o primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

“Foi dado um prazo de um ano para que o processo político seja reativado para um rápido regresso à ordem constitucional”, escreveu também o vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Nguema Obiang, na rede social X (antigo Twitter).

Por outro lado, a CEEAC designou o Presidente da República Centro-Africana como facilitador das negociações, devendo se deslocar “imediatamente para Libreville para contactos, não só com o poder estabelecido, mas também com a oposição, sociedade civil e todas as partes envolvidas” na base de orientações previamente definidas na reunião.

“Fundamentalmente o que nós queremos é que os gaboneses saem a ganhar na paz, no diálogo. O que queremos é um regresso o mais rapidamente possível ao funcionamento das instituições democráticas daquele país”, disse Patrice Trovoada.

O primeiro-ministro são-tomense insistiu que o golpe de Estado no Gabão “traduziu-se numa interrupção do processo eleitoral” na base de uma contenda sobre os resultados eleitorais e a maneira como o processo foi organizado, por isso sublinhou que “não pode demorar muito tempo” para se ultrapassar esta situação e regressar “ao funcionamento normal das instituições através de mecanismo de expressão popular nas urnas”.

O general Brice Oligui Nguema, que derrubou na semana passada o Presidente do Gabão, Ali Bongo Ondimba, tomou posse na segunda-feira (04.09) como presidente durante um período de transição, no final do qual prometeu eleições sem especificar uma data.

“Muita coisa para esclarecer”

Para o chefe do governo são-tomense, “há muita coisa ainda que tem que ser esclarecida” e toda a situação “é anormal” por isso é preciso que “o mais rapidamente possível se volte a organizar eleições”.

“A democracia quer dizer a expressão livre do povo, então nós pensamos que há prazos que podem ser muito curtos para que os gaboneses possam escolher livremente os seus dirigentes”, disse Patrice Trovoada.

“Não vamos também ser ingénuos. Há uma situação que é preciso reconhecer. Há um golpe de Estado, há um Presidente que não está no poder, há pessoas membros do poder que aderiram ao novo poder, há também uma população que demonstra estar satisfeita com a mudança do poder, nós não podemos ignorar isso”, acrescentou Patrice Trovoada.

Segundo o primeiro-ministro são-tomense participaram na reunião extraordinária da CEEAC, os Presidentes de Angola, da República do Congo, da República Centro Africana, da Guiné Equatorial, representante do Tchad e o representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para África Central.

No passado dia 30 de agosto, os militares golpistas anunciaram o “fim do regime” de Ali Bongo Ondimba, que governou o Gabão durante 14 anos, menos de uma hora após a proclamação da sua reeleição nas eleições de 26 de agosto, alegando que estas tinham sido fraudulentas. No dia seguinte, proclamaram o general Oligui Nguema presidente de um Comité de Transição e de Restauração das Instituições (CTRI).

Os golpistas colocaram Ali Bongo em prisão domiciliária por “alta traição às instituições do Estado” e “desvio massivo de fundos públicos”, entre outros crimes, e anunciaram a nomeação do general Brice Oligui Nguema, comandante da Guarda Republicana, como novo “presidente de transição”.

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