Contra-ataque da Ucrânia coloca Rússia na defensiva

Kremlin garante que intervenção na Ucrânia continua até objetivos serem atingidos, mas relatório britânico diz que a Rússia está a ser forçada a “priorizar ações defensivas de emergência”, após reconquistas ucranianas.

A Rússia está a ter dificuldades no envio de reforços para a linha da frente da sua ofensiva na Ucrânia, após um contra-ataque ucraniano nos últimos dias, e está a ser “forçada a dar prioridade a ações defensivas de emergência”, de acordo com o último relatório dos serviços secretos militares do Reino Unido.

O documento fala no sucesso significativo da contraofensiva ucraniana, que terá obrigado Moscovo a reestruturar o seu plano de operações e contribuído para abalar a confiança das tropas russas na liderança militar.

O Exército ucraniano anunciou, esta segunda-feira (12.09), em Kiev, que retomou “mais de 20 localidades” em 24 horas, no quadro da contraofensiva contra as forças russas, nomeadamente no leste da Ucrânia. “Durante a retirada, as tropas abandonaram as suas posições às pressas e fugiram”, segundo o Exército.

3.000 quilómetros quadrados recuperados

As Forças Armadas ucranianas dizem ter retomado 3.000 quilómetros quadrados de território nas últimas duas semanas. Só em Kherson, no sul, falam em mais de 500 quilómetros quadrados que estão desde o fim de semana “totalmente sob a bandeira da Ucrânia”.

Neste distrito, segundo a inteligência britânica, a Rússia terá ordenado a retirada completa das suas tropas e está “provavelmente a ter dificuldades em levar reservas suficientes através do rio Dnipro para a linha da frente” dos combates, devido à artilharia de longo alcance ucraniana.

No entanto, o Kremlin garantiu que a intervenção militar russa na Ucrânia vai continuar “até que os objetivos sejam atingidos”. O porta-voz Dmitri Peskov admite que, atualmente, “não existem quaisquer perspetivas de negociações” entre Moscovo e Kiev.

“Resposta cobarde” da Rússia

Também em Moscovo, o Ministério da Defesa russo indicou ter desencadeado na manhã desta segunda-feira um conjunto de ataques com mísseis de alta precisão a posições militares ucranianas no leste, centro e sul do país, incluindo a região de Kharkiv, onde decorre a contraofensiva ucraniana.

A Ucrânia acusa os militares russos de atacarem infraestruturas civis em resposta à sua rápida ofensiva no fim de semana. Segundo Kiev, a lista dos alvos dos ataques de retaliação incluiu sistemas de distribuição de água e uma central elétrica em Kharkiv, causando apagões generalizados na região.

“Não foram instalações militares, o objetivo é privar as pessoas de luz e calor”, escreveu o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Twitter, este domingo. Já esta segunda-feira, o conselheiro presidencial Mykhailo Podolyak denunciou uma “resposta cobarde [da Rússia] à fuga do seu próprio Exército do campo de batalha”.

A Rússia, no entanto, aponta ataques dirigidos contra tropas e equipamentos de guerra. “As Forças Aeroespaciais e a artilharia da Rússia estão a realizar ataques de alta precisão contra unidades e reservas do Exército Ucraniano na região de Kharkiv”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, Igor Konashenkov, esta tarde.

Nas regiões de Zaporijia e de Donetsk, prosseguiu Konashenkov, o Exército russo atacou quatro postos de comando ucranianos, 36 unidades de artilharia, 125 áreas de montagem militar e de equipamentos e uma oficina de manutenção de vários sistemas de lançadores.

Ucrânia continua a avançar

Apesar da retaliação russa, o Exército ucraniano anunciou que a recuperação de território continua, esta segunda-feira. Após meses praticamente sem movimentos percetíveis no campo de batalha, a ofensiva relâmpago do fim de semana parece ter levantado a moral ucraniana.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada esta segunda-feira, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, afirmou que a guerra na Ucrânia entrou na “terceira fase” e que os atuais êxitos militares de Kiev “terão um efeito de bola de neve” que só parará com a derrota russa.

Os objetivos da Ucrânia, frisou Reznikov, são a libertação de todos os territórios ocupados, “incluindo a Crimeia, Luhansk e Donetsk”, e o estabelecimento dos postos de fronteira nos pontos em que se encontravam em 1991.

Ainda não é totalmente claro se este será um ponto de viragem na guerra, com alguns analistas a alertar que os combates podem durar vários meses. Nem o Presidente Vladimir Putin, nem o seu círculo mais próximo se pronunciaram, até agora, sobre esta que já é considerada a pior derrota de Moscovo desde as primeiras semanas da invasão à Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, recusou-se a responder diretamente quando questionado por um repórter sobre se Putin ainda tinha confiança na liderança militar.

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