Denúncias de vacinação forçada contra a Covid-19 no Ruanda

Multiplicam-se os relatos de casos de vacinação forçada contra a Covid-19 no Ruanda, especialmente em zonas rurais. Alguns residentes dizem estar a ser pressionados por líderes locais e pela própria polícia.

Atualmente, mais de 49% dos quase 13 milhões de ruandeses já foram vacinados com duas doses e mais de 61% tem pelo menos a primeira dose da vacina.

Mas alguns ruandeses afirmam que este número só é possível devido à força dos líderes locais e da polícia que exercem pressão sob a população.

Um morador do distrito de Muhanga, na província do Ruanda do Sul, que preferiu o anonimato por medo de retaliações, descreveu à DW a sua experiência.

“Por volta das 4 horas da manhã, o líder da nossa célula local [entidade administrativa] invadiu a minha casa. Havia três pessoas à minha porta e disseram-me que ia ser vacinado contra a minha vontade”, recorda.

Conta ainda que entre polícias e civis, no total eram onze pessoas à sua volta. “Arrastaram-me pelo chão, bateram com os joelhos nas minhas costas e em todo o lado, enquanto as algemas faziam feridas profundas nos meus pulsos. Tentaram sufocar-me, até que os médicos vieram e deram-me a vacina”.

Religiosos contra a vacinação

Algumas pessoas não querem ser vacinadas com medo de advertências de líderes religiosos anti vacinas. Membros de uma Igreja Pentecostal, que se recusaram a ser vacinados, denunciaram que foram detidos durante uma semana por militares, polícia e líderes locais, que os tentaram convencer a levar a vacina.

Outro morador do distrito de Rwamagana, na província oriental, explica que fugiu de casa com a mulher quando foram forçados pelas autoridades a vacinarem-se contra a Covid-19.

“Eu tinha malária e estava a tomar medicação. Implorei que não me vacinassem. Mandaram uma moto para me levar ao posto de vacinação. Quando insistiram, fugimos de casa”, recorda.

Nas últimas semanas alguns ruandeses optaram por viajar para países vizinhos como o Burundi e a República Democrática do Congo (RDC) para escapar à vacinação.

Autoridades negam acusações ou não reagem

A DW contactou as organizações internacionais de direitos humanos Amnistia Internacional e Human Rights Watch. Ambas afirmam que atualmente não têm qualquer informação sobre a vacinação forçada no Ruanda. As autoridades nacionais contradizem as alegações ou não reagem.

Christopher Nkusi, presidente da câmara do distrito de Ngororero, diz que as acusações são falsas. “Os que têm resistência são sensibilizados e vacinados posteriormente. Não tenho conhecimento de nenhum caso de vacinação forçada no meu bairro”, declarou.

Na capital ruandesa, Kigali, as autoridades iniciaram uma campanha porta-a-porta para encontrar pessoas não vacinadas.

O país pôs em prática medidas restritivas rigorosas para conter a propagação da pandemia e encorajar as pessoas a serem vacinadas. A vacinação é obrigatória para a utilização de transportes públicos ou para ir a restaurantes, ginásios e locais de culto.

Os meios de comunicação ruandeses relatam casos de pessoas que estão a perder os seus empregos devido à falta de certificados de vacinação.

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