Depois dos tanques, Ucrânia quer aviões de combate

A Alemanha vai enviar 14 tanques Leopard para a Ucrânia, anunciou o chanceler Olaf Scholz. Kiev agradece, mas diz que é preciso mais apoio, incluindo aviões de combate. Berlim diz que essa é uma linha vermelha.

Porque é que a Ucrânia quer tanques Leopard? Porque podem ser decisivos no campo de batalha, para penetrar a linha da frente russa.

Segundo Gaspard Schnitzler, pesquisador franco-alemão no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, em Paris, os tanques Leopard 2 A6 são particularmente importantes “porque têm maior potência, maior resistência e capacidade de mobilidade, mesmo em terrenos acidentados”.

Eric-André Martin, do Instituto Francês de Relações Internacionais, refere que os tanques chegam num momento particularmente delicado da guerra, porque “o stock de material bélico soviético está a chegar ao limite”.

“Até aqui, o material usado pelo Exército ucraniano era compensado com material de origem soviética que estava ainda na posse dos países europeus e membros da NATO”, diz Martin, acrescentando que “a Rússia tinha dificuldades em reconhecer de onde vinham esses tanques. Mas agora é preciso repor esse material.”

Os Estados Unidos vão enviar 31 tanques de batalha M1 Abrams. E depois de muita hesitação, o Governo alemão disponibilizou 14 tanques de combate Leopard 2 A6 para ajudar a combater a invasão russa na Ucrânia.

A Alemanha vai ainda treinar soldados ucranianos para usar os veículos, além de oferecer munições e a manutenção. Berlim deu também “luz verde” a outros aliados para enviar Leopard 2 à Ucrânia, embora, até agora, só a Polónia tenha requisitado oficialmente o envio dos tanques, de fabrico alemão.

Kiev amplia a lista de pedidos

A Ucrânia agradeceu o gesto, mas pede mais. Os próximos itens na lista ucraniana são aviões de combate.

Andrei Melnyk, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, escreveu na rede social Twitter que Kiev precisa de F-16, F-35, Eurofighters, Tornados, caças “Rafale” e “Gripen” e “tudo o que puderem enviar para salvar a Ucrânia”, disse o governante.

A “linha vermelha” de Berlim

No entanto, o chanceler alemão, Olaf Scholz, alerta que enviar este tipo de material a Kiev seria transpor uma linha vermelha.

“Deixei claro desde o início que não estamos a discutir o envio de aviões de combate”, afirmou Scholz esta quarta-feira. “No início da guerra, quando falámos sobre zonas de exclusão aérea, disse ao Presidente norte-americano que não faríamos isso. Esta posição não mudou, nem mudará”.

A Alemanha continua a temer um agravamento da guerra na Ucrânia ou mesmo o seu alastramento para outros países. Moscovo acena há meses com a ameaça de uma “guerra nuclear”.

O Kremlin disse hoje que o envio dos tanques Leopard 2 está destinado ao fracasso.

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