Eleições na Rússia: “Vitória esmagadora” de Putin nas urnas

O Presidente russo, Vladimir Putin, está a caminho de um quinto mandato, depois da “vitória esmagadora” nas eleições que terminaram domingo. Um resultado que já era esperado, uma vez que a oposição não pôde concorrer.

Os resultados parciais das eleições russas foram avançados pela Comissão Eleitoral Central quando já estavam contabilizados os votos de cerca de 80% das assembleias: Com quase 90% dos votos, Putin deverá prolongar o seu Governo por mais seis anos, num quinto mandato.

Este resultado deverá manter Vladimir Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, e com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, devido a uma alteração constitucional feita em 2020.

Logo após a divulgação destes resultados, Vladimir Putin falou à nação e disse que os russos são “todos uma equipa”.

“Quero agradecer aos cidadãos da Rússia. Somos todos uma equipa. Todos os cidadãos que se deslocaram às assembleias de voto e votaram. Mais uma vez, quero dizer, isto é muito importante, não tem carácter formal: a fonte de autoridade da nação é o povo russo”, sublinhou.

Putin disse ainda que o resultado destas eleições permitirá que a sociedade russa se consolide e se torne mais forte: “Temos grandes planos de desenvolvimento. As pessoas sentiram-no e vieram criar as condições para o desenvolvimento e o reforço da sua Pátria – a Rússia”.

A oposição ao Kremlin não pôde concorrer às eleições, uma vez que a comissão eleitoral não registou os seus candidatos por várias razões técnicas ou questões formais, devido ao seu apoio à paz na Ucrânia.

Corrida sem adversários

O líder russo enfrentou a concorrência de três rivais simbólicos. E os três candidatos derrotados por Putin na corrida presidencial já reconheceram a vitória do atual chefe de Estado.

Um dos candidatos, o comunista Nikolai Kharitonov, obteve 4% dos votos, seguido do representante do partido Novo Povo, Vladislav Davankov, com 3,86%. O último candidato é o ultranacionalista Leonid Slutski, com 3% dos votos.

Kharitonov, citado pela agência de notícias EFE, disse que a votação teve um “resultado digno” e que “o povo da Rússia demonstrou como nunca à comunidade internacional que pode unir-se e consolidar-se”.

O maior opositor de Putin, Alexei Navalny, morreu numa prisão do Ártico no mês passado, e outros críticos estão presos ou exilados.

Na Alemanha, a viúva de Navalny, Yulia Navalnya, não poupou críticas a Putin após votar na embaixada russa em Berlim: “Não pode haver negociações nem nada com o senhor Putin, porque ele é um assassino, é um gangster, é a pessoa que levou o meu país à guerra e a tudo.”

Bombardeamentos na Ucrânia

As eleições, que duraram três dias, foram marcadas por uma vaga de bombardeamentos ucranianos mortais, incursões em território russo por grupos pró-Kiev e vandalismo nas assembleias de voto.

Vladimir Putin acusou Kiev de tentar torpedear a sua reeleição. Por seu turno, Kiev e os seus aliados consideraram a votação “uma farsa” e o Presidente Volodymyr Zelensky criticou Putin, considerando-o um “ditador” que está “viciado no poder”.

“Nestes dias, o ditador russo está a simular uma nova eleição. Toda a gente compreende que esta figura, como já aconteceu muitas vezes na história, simplesmente se viciou no poder e está a fazer tudo o que pode para governar para sempre”, disse Zelensky.

A oposição manifestou suspeitas quanto à utilização maciça de recursos do Estado, depois de mais de metade dos 112 milhões de eleitores registados terem votado entre sexta-feira e sábado.

A Comissão Eleitoral Central, que não convidou observadores ocidentais, negou a existência de irregularidades graves, embora peritos independentes e a imprensa do exílio tenham denunciado vários casos de manipulação eleitoral.

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