Governo do Senegal restringe acesso à Internet

O Governo do Senegal restringiu o acesso à internet móvel e impediu manifestações esta segunda-feira (05,01). Também os legisladores preparam um projeto de lei para estender o mandato do Presidente Macky Sall.

O acesso à Internet móvel foi cortado na manhã desta segunda-feira (05.01) em Dacar, no contexto da crise política desencadeada pelo anúncio do adiamento das eleições presidenciais de 25 de fevereiro, em cumprimento de uma disposição assinada no domingo (04.01) pelo ministro para a Comunicação, Telecomunicações e Economia Digital do Governo senegalês, Moussa Bocar Thiam.

O ministro “informa o público que devido à difusão de várias mensagens de ódio e subversivas nas redes sociais no contexto de ameaças de perturbação da ordem pública, a internet de dados móveis é suspensa a partir de domingo às 22:00”, anunciou na noite de domingo Bocar Thiam, através de um comunicado que está a ser divulgado na rede social X.

Muitos utilizadores em Dacar queixavam-se esta manhã de não poder aceder aos dados móveis nos seus telemóveis.O sindicato dos trabalhadores da Sonatel, o principal operador telefónico senegalês, antecipou este domingo a possibilidade de vir a ser ordenado um possível apagão dos dados móveis, afirmando num comunicado que “desaprova qualquer ideia do Estado do Senegal de cortar ou restringir a Internet”.

O Governo tinha já suspendido a Internet de dados móveis em junho de 2023, no quadro de fortes tensões populares. A decisão anunciada no passado sábado (03.01) pelo Presidente Macky Sall de adiar as eleições presidenciais, numa decisão inédita desde a independência do país, provocou protestos e uma forte repressão das forças de segurança das primeiras manifestações este domingo.

Polícia reprime manifestações

E as forças de segurança senegalesas usaram gás lacrimogéneo para dispersar uma manifestação diante da Assembleia Nacional em Dacar, que hoje discute um projeto de alteração constitucional para justificar o adiamento das eleições por seis meses.

A oposição tinha apelado à realização da manifestação e ao bloqueio do acesso ao Parlamento por parte dos deputados, o que está agora a ser contrariado pelas forças de segurança, que dispararam duas granadas de gás lacrimogéneo para afastar um grupo de várias dezenas de pessoas que se juntavam.

Os manifestantes recusaram a obedecer às ordens das autoridades e retiraram-se para mais longe, gritando “Macky Sall ditador”, o nome do Presidente senegalês.

A União Africana (UA) instou o Governo a organizar as eleições “como o mais rápido possível” e apelou a todos os envolvidos “para resolver qualquer disputa política por meio de consulta, compreensão e civilização diálogo.”

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest