Guerra na Ucrânia entrou numa “fase perigosa”

Chefe da diplomacia europeia diz que “a situação do Exército russo é muito má”. Mas Vladimir Putin garante que a situação nos territórios ucranianos anexados pela Rússia vai estabilizar.

Vladimir Putin promulgou esta quarta-feira (05.10) a anexação de quatro regiões da Ucrânia. O Presidente russo assinou um decreto de alteração da Constituição, incorporando no território da Federação Russa as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia.

O Kremlin promete recuperar as cidades reconquistadas pelos soldados ucranianos nos últimos dias.

“Acreditamos que a situação vai estabilizar e que vamos continuar a desenvolver estas regiões de forma serena”, disse Putin esta quarta-feira. “Agradeço e curvo-me perante todas as pessoas desses territórios que, durante muitos anos, têm passado por dificuldades, almejando a reunificação com a Rússia.”

Avanços das forças ucranianas

A anexação russa é considera ilegal pelo Ocidente e ocorre numa altura em que Kiev anunciou avanços “rápidos e poderosos” na sua contraofensiva.

Na terça-feira à noite, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que, só esta semana, foram libertadas dezenas de localidades nas regiões anexadas pela Rússia

“Os nossos soldados não param. É apenas uma questão de tempo antes de expulsarmos o ocupante de todas as nossas terras”, assegurou Zelensky.

Com os avanços na contraofensiva ucraniana, Putin fez alterações nas chefias militares.

O líder checheno Ramzan Kadyrov foi promovido pelo Presidente russo a coronel-general. Dias antes, Kadyrov defendeu “medidas mais radicais” na Ucrânia, incluindo o uso de “armas nucleares de baixa potência”. Criticou ainda a retirada do Exército russo da cidade estratégica de Lyman, no sábado (02.10).

UE preocupada

A União Europeia (UE) está preocupada com o agravamento da retórica nuclear. A guerra já entrou numa “nova fase”, afirma o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

“É certamente uma fase perigosa, porque estamos perante um cenário assustador, que não devemos ignorar. É um cenário de uma guerra convencional envolvendo uma potência nuclear.”

Moscovo está cada vez mais encurralado, acrescenta Borrell. “A situação do Exército russo é muito má. Entre outras coisas, porque os soldados russos não sabem para que serve a guerra e os 300 mil que serão levados das suas casas para a frente de batalha compreenderão ainda menos.”

O chefe da diplomacia europeia diz que só há uma saída para esta guerra: quando a Ucrânia recuperar a sua integridade territorial e soberania total. Além disso, segundo Borrell, a UE está unida na intenção de integrar a Ucrânia no bloco europeu.

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