Guiné-Bissau: Nabiam diz que ações de Sissoco podem levar à guerra civil

Na Guiné-Bissau, antigos aliados do PR acusam-no de instrumentalizar o poder judicial e de conduzir o país para uma situação que pode resultar em guerra civil, segundo Nuno Nabiam, ex-primeiro-ministro de Sissoco.

Na Guiné-Bissau, o tom dos discursos políticos intensificou-se. Os antigos aliados do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, criticam agora abertamente o chefe de Estado. O ex-primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, endureceu as acusações este fim de semana, alertando para as consequências da alegada instrumentalização do poder judicial guineense.

“Quero chamar a atenção dos juízes, do Procurador-geral da República e de todas as instâncias judiciais que o PRS não é um partido violento. Mas se a violência chegar à tua casa, serás obrigado a reagir. E com este sistema judicial que temos, se não assumirem as suas responsabilidades em defesa intransigente do povo, vão trazer guerra civil neste país. O que Sissoco está a fazer não é nada de bom,” afirmou Nuno Nabiam.

Nabiam discursava na reunião do Conselho Nacional do Partido da Renovação Social (PRS), órgão máximo entre congressos. O ex-braço direito de Sissoco Embaló acusa o chefe de Estado de conduzir a Guiné-Bissau para um caminho perigoso.

Críticas ao sistema judicial

“O nosso sistema judicial sabe que o que Sissoco está a fazer não é correto. É fora da lei. Não é preciso ser advogado ou jurista para saber que os assuntos dos partidos são tratados nos órgãos partidários. Quem mandou atacar a casa do presidente interino do PRS, Fernando Dias, foi Sissoco Embaló. Foi ele também que mandou sequestrar o então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Pedro Sambú, forçando a sua renúncia ao cargo. Foi um golpe institucional. Tirou Sambú e colocou Lima [André],” declarou Nabiam.

O Presidente da República reiterou que não é ditador nem violento, mas defende que “tem que haver ordem” e que as pessoas e o país precisam de estabilidade. Respondendo a várias questões levantadas pelo APU-PDGB e a outras posições políticas recentes, Sissoco Embaló disse que elegeu o combate à corrupção e que aqueles que o atacam nada podem apontar-lhe.

O Presidente afirmou que aqueles que o apoiaram agora o atacam e que os apoios que teve não foram gratuitos. “Eu paguei a quem me apoiou, ninguém me apoiou gratuitamente,” referiu, concretizando que há partidos que financiou do próprio bolso com “300, 400 milhões” de francos CFA (cerca de meio milhão de euros).

PRS corre risco de ter dois congressos em paralelo

O presidente interino dos renovadores, Fernando Dias, desafia o chefe de Estado a apresentar provas das suas afirmações. “Se na verdade o Presidente pagou alguém do PRS, perguntem-lhe então a quem entregou esse valor? Onde está a prova, um documento assinado. Se Sissoco não fosse Presidente da República, diria que ele mentiu,” disse Dias.

Fernando Dias acusa Sissoco Embaló de se imiscuir na vida interna do PRS. A terceira força política guineense está em crise e corre o risco de ter dois congressos esta semana. A direção de Fernando Dias anunciou um congresso extraordinário para o dia 28 “para acabar com as exigências” de um grupo de militantes que o contestam, acusando esse grupo de ser uma ala criada por Sissoco dentro do partido.

Por sua vez, esse grupo, denominado “Os Inconformados”, que conta com vários dirigentes do PRS e é liderado pelo atual ministro das Finanças do Governo de Iniciativa Presidencial, Ilídio Vieira Té, marcou um congresso extraordinário para o dia 29 para a escolha do novo presidente do partido.

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