Mali em luto após massacre de pelo menos 130 civis

O Governo de Transição liderado por militares decretou três dias de luto após o massacre de civis no centro do Mali. Especialistas alertam para o crescimento da violência extremista no país.

As bandeiras do Mali estavam a meio mastro na capital, Bamako, esta terça-feira (21.06). Foi o primeiro, dos três dias de luto decretado pelo Governo, após ataques no fim de semana terem matado pelo menos 130 de pessoas no centro do país.

O Governo de Transição, liderado pelo coronel Assimi Goita, disse que os ataques às aldeias no sábado e domingo foram levados a cabo pelos rebeldes jihadistas do grupo Katiba. E declarou, na segunda-feira (20.06), três dias de luto pelas vítimas no massacre de três aldeias malianas na zona de Bankass, na região de Mopti, centro do país.

Localizada a oeste, Bamako recebe aqueles que emigraram da região afetada pela violência. Amadou Kassambala deixou a sua cidade natal, Kourientze (em Mopti) no centro, em direção à capital, no oeste, onde trabalha como vendedor de rua.

“Eu sou daquela região, não há autoridade. Não há nada. Ali vivemos sem lei. É cada homem por si, é a lei do mais forte. A população vê o que está a acontecer, mas não pode fazer nada a esse respeito”, relata o vendedor.

Violência extremista

O massacre dos centenas de civis este fim de semana, no centro do Mali, prova que a violência extremista islâmica está a espalhar-se do norte do para as áreas mais centrais, como Bankass.

Numa mensagem veiculada através da rede social Twitter, a missão de manutenção da paz das Nações Unidas no Mali (MINUSMA) condenou os recentes ataques no centro, e ofereceu ajuda com os cuidados e evacuação dos feridos, bem como ajuda na investigação dos massacres.

Para malianos como Moussa Diarra, o sentimento é de medo e indignação: “Sinto-me mal e muito, muito zangado. Não posso aceitar que estes ataques e que os meus pais, os meus vizinhos sejam mortos dessa forma. Isto desilude-me realmente. Não estou nada contente”.

Insegurança persiste

É verdade que as áreas atacadas no fim de semana são as que assinaram acordos de paz locais com alguns grupos armados considerados terroristas. Porque então a violência persiste?

Baba Dakono é o diretor do Observatório Civil para Governação e Segurança e explica que “o ressurgimento da tensão está talvez ligado à expiração hoje destes acordos locais, e também pode estar ligado à intensificação das operações militares pelas forças de defesa, que podem estar a pôr fim ao processo de diálogo iniciado pelas autoridades malianas em 2019”.

De acordo com a agência de notícias AFP, os homens armados que atacaram as aldeias no fim de semana acusam as vítimas de conspiração com mercenários do grupo russo Wagner, que apoia o exército do Mali na luta contra os terroristas islâmicos.

Ameaça no Sahel

O Mali combate uma insurreição jihadista com ligações à Al-Qaeda e ao chamado Estado Islâmico. A violência que começou no norte do país do Sahel espalhou-se desde então pelo Mali central, Burkina Faso, Níger e, mais recentemente, Benim e Togo.

Uma grande parte do país está fora do controlo do Governo provisório, que tomou o poder num golpe de Estado em maio de 2021. Milícias de autodefesa e grupos jihadistas preencheram este vazio de poder.

Por sua vez, os Estados Unidos e a França condenaram os ataques.

Mas para resolver a questão da segurança, o analista Baba Dakono diz ser precis “avançar para soluções globais que incluam não só a resposta militar, mas também respostas políticas que tenham em conta as preocupações do povo”.

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