Mineradora chinesa culpa empreiteiro por paragem de obras em Moçambique

A população de Inhassunge, na Zambézia, está indignada com a empresa chinesa que explora areias pesadas na região. Uma das promessas foi reabilitar e construir infraestruturas. Mas esses projetos ainda são uma miragem.

É um problema que se arrasta há três meses. As obras de melhoramento das estradas e pontes prometidas à população de Inhassunge, na província moçambicana da Zambézia, estão paradas. O empreiteiro terá abandonado os trabalhos.

Vários residentes mostram-se indignados. Em declarações à DW, alertam que há pessoas que estão a morrer por causa das dificuldades em transportar doentes graves para o hospital.

Américo Mendes, residente na ilha de Olinda, em Inhassunge, pede ajuda urgente: “Estamos a sofrer aqui, queremos que o Governo arranje formas de nos ajudar. Muita gente, mães grávidas passam por aqui”.

Os populares culpam a Africa Great Wall Mining Company pelo que está a acontecer.

Desde 2014 que a empresa explora areias pesadas em Inhassunge, principalmente na ilha de Olinda. Em troca da exploração, uma das promessas era reabilitar o pavimento e construir pontes melhoradas na via principal da localidade de Chirimane.

Empresa culpa empreiteiro

Em conferência de imprensa na terça-feira (02.08), o porta-voz da empresa, Carlos Mico, disse que a culpa pela interrupção das obras é do empreiteiro que abandonou o projeto.

Mico diz ainda que a concessionária chinesa precisa de apoio governamental para fazer cumprir os contratos, e garante que empresa fez a sua parte.

“O contrato foi de dois milhões de meticais [mais de 30 milhões de euros], foi pago mais da metade, 67,5 por cento do valor. Sempre que tentámos solicitar para sabermos, dar-nos o cronograma de quando vai terminar, sempre diz que vai nos enviar e até agora ainda não temos uma resposta por parte do empreiteiro”, disse.

Segundo o porta-voz da Africa Great Wall Mining Company, as obras de reabilitação de cinco quilómetros de estrada e pontes começaram em novembro passado, e deveriam ter demorado apenas dois meses.

A DW não conseguiu falar com o empreiteiro acusado de abandono.

Empreiteiro acusado em parte incerta

No entanto, Jorge Manjawira, um dos encarregados pela reabilitação das estradas em Inhassunge no âmbito da exploração de areias pesadas, diz que a culpa do que está a acontecer não será apenas do empreiteiro.

O problema é do empreiteiro e da empresa chinesa – o empreiteiro não aparece, diz que está a negociar com a China para a receção de valores para pagar aos trabalhadores sazonais. Desde o dia 27 de novembro passado até agora, não recebemos”, disse.

Em 2017 e 2018, a falta de entendimento em relação aos reassentamentos, por causa da exploração de areias pesadas, levou a população a rebelar-se contra a empresa e a Força de Intervenção Rápida.

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