PAIGC quer realizar congresso em meados de agosto

Após vários adiamentos, PAIGC prevê realizar o décimo congresso ainda este mês. O dirigente do partido Manuel dos Santos ‘Manecas’ alegra-se com o fim dos obstáculos jurídicos. Agora, só é preciso resolver a “logística”.

Na “corda bamba” desde fevereiro, o décimo congresso do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) já pode, segundo a Justiça, ser realizado.

O Tribunal de Relação da Guiné-Bissau considerou, na segunda-feira (01.08), improcedente um recurso interposto por Bolom Conte, que impedia o PAIGC de realizar o seu congresso. Conte alegou que estava a ser impedido de participar na lista de delegados.

Depois da decisão do tribunal, será que é desta que o congresso do histórico partido guineense avança? Em entrevista à DW África, Manuel dos Santos ‘Manecas’, presidente da comissão preparatória do décimo congresso do PAIGC, garante que sim.

DW África: O congresso do PAIGC pode avançar? Já não há obstáculos?

(MS): Sim, já não há mais nenhum impedimento. Vamos fazer o congresso o mais depressa possível. Só faltam algumas questões logísticas, que temos de resolver. É uma questão de dias e não de meses.

DW África: Há uma data marcada?

MS: Ainda não, mas será em meados de agosto.

DW África: O PAIGC diz que Bolom Conte terá agido de má-fé. Porquê?

MS: Porque é verdade. [Tentou-se] adiar o congresso por motivos não jurídicos, mas políticos.

DW África: O que falta para concretizar o décimo congresso do PAIGC?

MS: É um congresso que congrega cerca de 1.500 pessoas, que carece de alguma preparação, de toda a logística necessária. Os delegados estão espalhados pelos quatro cantos do país e devem vir para Bissau, temos de tratar das questões de alojamento e de alimentação… Mas não há mais nenhum impedimento jurídico ou de outra natureza.

DW África: Domingos Simões Pereira será o único candidato à presidência do partido?

MS: Creio que não. Há outras pessoas que se estão a apresentar como potenciais candidatos. Ainda agora apareceu um antigo vice-presidente do partido, que tinha abandonado o PAIGC há vários anos e também se quer candidatar. É óbvio que todas as pessoas que se quiserem candidatar ao lugar de presidente do partido – e que reunirem as condições necessárias e suficientes – vão poder fazê-lo. Não vamos colocar obstáculos a absolutamente ninguém. Mas a candidatura faz-se no congresso e não fora dele.

DW África: Mas há nomes que possa adiantar, além de Domingos Simões Pereira?

MS: João Bernardo Vieira, Octávio Lopes, Raimundo Pereira – e podem aparecer outros.

DW África: O PAIGC está confiante na realização das legislativas de dezembro?

MS: O tempo é tão escasso que não creio que se faça as legislativas em dezembro. Porque ainda falta completar ou fazer de raiz o recenseamento. Isso leva tempo e estamos na época das chuvas, o trânsito nalgumas regiões é problemático – e as chuvas só terminam em outubro. Portanto, não estou a ver que se consiga realizar as eleições em dezembro, até do ponto de vista logístico.

Mas se as legislativas forem justas e transparentes, não tenho dúvidas que o PAIGC vai ganhar. É a minha convicção pessoal.

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