“Pão e circo” antes das eleições em Angola?

Em plena pré-campanha eleitoral, o Governo intensifica as inaugurações. Além disso, o Presidente João Lourenço aumentou o plano de doação de alimentos às famílias carenciadas. Críticos falam em corrupção eleitoral.

Em Angola, a campanha eleitoral para as eleições gerais de 24 de agosto está quase a começar e as inaugurações decorrem a velocidade de cruzeiro. Tem sido uma verdadeira maratona de conclusão de obras em todo o país.

São muitas as infraestruturas inauguradas nas últimas semanas: unidades hospitalares, estradas, escolas, fábricas e centralidades. Durante a campanha eleitoral, é proibido realizar este tipo de ações.

O próprio Presidente João Lourenço tem pedido a conclusão das obras com rapidez – por exemplo, no Instituto Superior Politécnico de Caxito, na província do Bengo: “Estamos a trabalhar, a fazer tudo, no sentido de terminar e inaugurar esta importante infraestrutura antes do início da campanha eleitoral. Ou seja, dentro de dias. Como sabem, durante os 30 dias que antecedem o dia da votação, o Executivo não pode fazer inaugurações. E nós vamos respeitar isso”.

A poucos dias da campanha, o Governo anunciou também mais ajuda para as famílias carenciadas – de acordo com o Novo Jornal, foi aprovado por ajuste direto um financiamento de 52,6 milhões de dólares para bens alimentares, que deverão ser doados aos mais necessitados. Além disso, o Executivo anunciou um crédito habitacional a ser financiado pelo Banco Nacional de Angola.

“A sociedade está atenta”

O jovem angolano Luís Bernardo diz que não se deixa enganar por estas iniciativas do Governo do MPLA: “O Governo já perdeu credibilidade. Tiveram cinco anos para gizar políticas que realmente poderiam ajudar a população. Não fizeram e, na última da hora, estão a vir com estes decretos. É muito tendencioso”, comenta.

Há milhões de pessoas a passar fome em Angola. Porquê só agora esta ajuda?, pergunta este jovem. “Será que as pessoas só sentem fome quando se aproxima as eleições? As pessoas têm direito à alimentação todos os dias”, frisa.

Para o líder juvenil da UNITA, Agostinho Kamuango, são “políticas eleitoralistas com o propósito de enganar o eleitorado menos atento”.

“Não vamos permitir que o Executivo brinque com a juventude. Habituaram-nos sempre a isso. Sempre que se chega à porta das eleições, o Executivo cria programas e estratégias para aliciar sobretudo a juventude e, passada a fase das eleições gerais, tudo fica como antes, um sofrimento tremendo. É uma pena, este Executivo não tem iniciativa, mas a sociedade está atenta.”

O secretário para Informação e Marketing da CASA-CE, João Nazaré, considera que, para o Governo do MPLA, “o povo angolano só tem valor em período eleitoral”.

“É triste, porque este ato configura, assim, num ato de corrupção eleitoral que, no nosso entender, não tem a ver apenas com os atos executados durante a campanha, mas também com todos os atos executados depois da convocação das eleições”, lamenta.

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