Porque é que os angolanos aderiram em massa aos protestos de sábado?

Ativistas dizem que péssimas condições de vida e “consciência cívica” estão entre os motivos da adesão. Observadores dizem que este é o “momento da oposição” e que há possibilidade real de alternância de poder.

Analistas e ativistas procuram explicações para a forte adesão à manifestação do último sábado (11.09), organizada pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Em declarações a DW África, João Malavindele, coordenador da organização não-governamental Omunga, diz que os protestos evidenciam o apoio popular à oposição.

Para Malavindele, o ambiente político está, neste momento, muito mais favorável aos opositores. “Tudo porque o partido no poder tem claudicado na implementação de políticas que visam satisfazer os direitos fundamentais dos cidadãos”, explica.

Isso, por si só, segundo o dirigente da Omunga, já joga a favor dos líderes da oposição ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde 1975, quando o país se tornou independente: faz com que “qualquer político, com o mínimo deaceitação, possa carregar consigo vários apoiantes”.

Necessidades básicas

Rafael Morais, responsável da SOS Habitat, identifica outras razões para a adesão dos cidadãos às manifestações de rua. O ativista cita, por exemplo, as péssimas condições de vida, que dificultam o quotidiano de milhões de angolanos.

De acordo com Morais, a situação social e económica do país está a deteriorar-se a cada dia que passa. “Aquelas pessoas que trabalham lamentam que o seu salário não chega para cobrir as despesas mensais. [Imagine] aquelas que não trabalham. [A situação] é cada vez pior”, explica.

Para além destes motivos, João Malavindele diz que a adesão também sinaliza um aprofundar da consciência cívica.

Num mesmo dia, os cidadãos foram às ruas com três grandes reinvidicações, em três protestos diferentes: pela transparência eleitoral, contra o corte de cabelo obrigatório nas escolas e por melhores condições de vida.

Momento da oposição

Para Malavindele, “o dever de cidadania fala mais alto, sobretudo em busca da alternância de poder em Angola”.

Alguns observadores locais acreditam na possibilidade real de uma alternância de poder nas eleições gerais de 2022, a julgar pelo atual ambiente político que supostamente favorece a oposição.

Mas Rafael Morais pede cautela: “Não basta a moldura humana que apareceu no sábado, é importante olhar também para a justiça eleitoral. Sabemos que o MPLA controla quase tudo”, adverte.

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