Porque hesita Berlim no envio de tanques para a Ucrânia?

A pressão aumenta cada vez mais. A Ucrânia quer tanques Leopard da Alemanha, mas a Alemanha demora a responder. A Polónia já disse que poderá enviar os tanques que tem disponíveis, mesmo sem a autorização de Berlim.

Há meses que Kiev pede tanques Leopard, de fabrico alemão. A Ucrânia acredita que os tanques poderiam fazer a diferença no combate à invasão russa, furando as linhas de ataque para reconquistar territórios.

A Alemanha continua a hesitar em dar “luz verde” ao envio deste tipo de apoio militar, mesmo com parceiros como a Polónia a assinar por baixo o pedido da Ucrânia e a pressionar o chanceler Olaf Scholz.

Segundo o porta-voz do Governo alemão, Steffen Hebestreit, Berlim está “a avaliar as opções cuidadosamente”. O Executivo alemão, garante, “não descarta o envio de tanques Leopard, mas não decidiu ainda se o vai fazer”.

Não é a primeira vez que a Alemanha hesita. Aconteceu o mesmo no início de 2022, quando se debateu o envio de artilharia pesada para a Ucrânia. Na altura, um dos motivos invocados era o passado sangrento da Alemanha no século XX, além dos laços históricos com a Rússia. No entanto, Berlim decidiu enviar as armas – tornou-se um dos maiores fornecedores da Ucrânia.

Porquê agora a hesitação em relação aos tanques Leopard?

Medo da guerra

O SPD, o partido do chanceler alemão, Olaf Scholz, teme um agravamento do conflito se Berlim autorizar o envio de tanques “fabricados na Alemanha” para a Ucrânia – mesmo se os tanques forem enviados por países terceiros. Por outro lado, a Alemanha não quer aparecer a agir sozinha.

“Temos de agir de forma responsável. É isso que garanto a todos os cidadãos, é assim que vai continuar. Tomaremos decisões de forma ponderada e responsável. Não é a agitação popular que nos guiará, mas o que é correto e bom para a Ucrânia e para a paz na Europa”, disse Scholz, no início do mês.

Gustav Gressel, pesquisador do Conselho Europeu de Relações Internacionais, diz que há “um medo enorme de uma guerra nuclear” enraizado na chancelaria federal.

“Acreditam que são um alvo prioritário. Não sei como surgiu esta perceção. Tenho a impressão de que o chanceler Olaf Scholz perdeu um pouco de vista que a Alemanha é um membro da NATO”, considera.

Ucranianos “vão sofrer”, avisa Moscovo

John Kirby, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse na semana passada que é compreensível que a Ucrânia queira tanques Leopard, que classificou como “um sistema fabuloso, bastante moderno e efetivo”.

“Creio que temos sido muito claros com a Alemanha e com todos os nossos aliados e parceiros, que, se está ao nosso alcance suprir uma determinada necessidade dos ucranianos, então queremos ver-vos a fazer isso”, avisou.

A Rússia tem feito várias ameaças. Ainda esta segunda-feira (23.01), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os ucranianos “vão sofrer” se a Europa enviar tanques: “Há um nervosismo crescente entre os membros da aliança. Mas, é claro, todos os países envolvidos direta ou indiretamente no envio de armas para a Ucrânia e no fortalecimento das capacidades tecnológicas são responsáveis por isto. O povo ucraniano vai pagar o preço deste pseudo-apoio”.

A Polónia disse esta segunda-feira que vai pedir autorização à Alemanha para fornecer tanques Leopard 2 à Ucrânia, mas poderá enviá-los mesmo sem o consentimento de Berlim.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse, na semana passada, que está a contabilizar os tanques. Um dos grandes problemas com que Berlim se debate neste momento é a falta de equipamento nas Forças Armadas alemãs.

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