Quais as consequências da saída de membros da CEDEAO?

Economistas falam em consequências “desastrosas” da saída do Burkina Faso, Mali e Níger da CEDEAO. A economia ficaria comprometida, bem como o plano de regresso ao poder civil nesses países.

Depois do anúncio feito no domingo (28.01), o Mali e o Burkina Faso formalizaram esta segunda-feira (29.01) a decisão de abandonarem a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Os dois países sublinharam o caráter comum da ação – que também abrangeria o Níger-, que, pouco depois, também notificou formalmente e diretamente o bloco regional, segundo a agência de notícias, Reuters.

Ibrahim Amadou Louché, analista económico, alerta para as consequências “desastrosas” para os países da Aliança dos Estados do Sahel (AES) tendo em conta a “grande interdependência com os outros países membros”

“O risco é o de assistirmos a uma maior firmeza por parte dos outros países membros da CEDEAO e, por conseguinte, à instauração de um verdadeiro bloqueio que impedirá qualquer movimento tanto de pessoas como de mercadorias. Isto pode levar a uma escassez e, potencialmente, a preços mais elevados de bens de primeira necessidade”, afirma.

Analistas temem que a decisão comprometa o comércio e atrase o regresso ao poder civil nos três países que lutam contra a violência jihadista e a pobreza.

A saída de uma zona de comércio livre poderá levar ao aumento dos direitos aduaneiros e de transporte, como explica o economista Hama Hamidou Diallo: “Hoje, como o Níger não tem saída direta para o mar, 80% do que consumimos vem do exterior, através dos portos de Cotonou e de Lomé. Haverá impacto em termos de custos, custos de trânsito, custos de transporte”.

Crítica da liderança da CEDEAO

De acordo com a CEDEAO, a notificação de saída inicia o período de um ano antes de a retirada produzir efeitos.

Na ausência de um compromisso com a organização, caberá ao Mali, ao Burkina Faso e ao Níger assinarem acordos bilaterais com outros países membros, defende o analista Koffi Dove: “Por exemplo, com o Benim, Togo, Gana e a Nigéria as questões económicas terão de ser resolvidas e terão de ser assinados acordos bilaterais entre os estados para as resolver o mais rapidamente possível”.

A Nigéria, que preside atualmente a CEDEAO, criticou esta segunda-feira a decisão das juntas militares dos três países. Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano afirmou que não estão a agir de boa-fé “ao negar ao seu povo o direito soberano de fazer escolhas fundamentais”.

Contudo, a Nigéria afirma que continua disposta a dialogar com os três países.

Os Governos do Mali, Burkina Faso e do Níger justificam a saída da CEDEAO, na sequência das sanções impostas e da condenação dos golpes de Estado, criticando a “postura irracional e inaceitável” da organização sub-regional.

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