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A Ucrânia assinalou esta terça-feira, 23, quatro anos da invasão russa. Volodomyr Zelensky recebeu em Kiev várias das principais figuras da política internacional, num dia em que voltou a apelar à adesão da Ucrânia à União Europeia.

No dia em que se assinala o quarto ano da invasão da Rússia à Ucrânia, Volodymyr Zelensky diz não ter dúvidas:
“Putin falhou. Não derrotou os ucranianos. Ele não venceu esta guerra. Nós preservamos a Ucrânia e faremos tudo para alcançar a paz, e para garantir que haja justiça”, afirmou num vídeo gravado pela Presidência ucraniana.
Zelensky revelou, pela primeira vez, imagens do bunker presidencial, onde o Presidente da Ucrânia recorda a primeira conversa em tom de guerra.
“Aqui falei com o Presidente (dos Estados Unidos) Joe Biden e foi aqui que ouvi: ‘Volodymyr , há uma ameaça, precisa de sair urgentemente da Ucrânia. Estamos prontos para ajudar nisso.’ E eu respondi que precisava de armas, não de um táxi”, revelou.
Líderes políticos em Kiev
Volodymyr Zelenskyy organizou, esta terça-feira (24.02), uma reunião da “Coligação dos Dispostos”, na capital ucraniana em Kiev, juntamente com vários líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, o Presidente da França, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão Friedrich Merz também participaram, mas por videoconferência.
O Presidente ucraniano voltou a agrecer por toda a ajuda ao longo destes mais de 1.400 dias de guerra, mas reforçou um pedido feito há muito à União Europeia (UE).
“É importante para nós recebermos uma data clara para a adesão à UE. É muito importante, como parte do processo diplomático atual, no âmbito de toda a diplomacia destinada a pôr fim à guerra. E isto não é apenas um desejo. É uma compreensão clara de como Putin irá agir”, apelou.
Novo empréstimo à Ucrânia
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, apontou o que considera ser o caminho para uma vitória ucraniana.
“Temos de ser muito claros: esta guerra só terminará quando Putin perceber que não pode vencer. É por isso que temos de aumentar a pressão sobre a Rússia. Temos de esgotar os fundos de Moscovo destinados à guerra”, disse.
Horas depois, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, assinou formalmente o empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE para apoiar a Ucrânia, faltando ainda saber como será o 20º pacote de sanções à Rússia.
O pacote financeiro tem ainda de ser validado pelo Conselho da UE, tendo os ministros dos Negócios Estrangeiros falhado, na segunda-feira (23.02), um acordo sobre o tema, devido ao veto da Hungria.
Os custos da guerra
Importa também saber o que vai na alma e no pensamento do outro lado da barricada. O impacto na própria Rússia está a tornar-se cada vez mais difícil de ignorar. Os preços estão a subir, o crescimento está a abrandar, mas o domínio de Vladimir Putin sobre o poder parece firme. O que é que a guerra mudou dentro da Rússia?
Em entrevista à DW, o analista político Dmitry Oreshkin diz que “para Putin, continuar a guerra pode ser uma opção mais preferível do que terminá-la. Porque se ele a terminar, as pessoas acordam e sentem uma ressaca… A guerra acabou, mas onde estão as melhorias? E não haverá melhorias por muitas razões”.
Embora um número crescente de russos possa ser a favor do fim da guerra com a Ucrânia, o analista afirma que as atitudes do público ainda são moldadas por uma cultura política profundamente enraizada, na qual as pessoas esperam que as principais decisões geopolíticas venham do Kremlin.
O crescimento dos salários, por exemplo, estagnou, enquanto os preços dos produtos alimentares continuam a subir. Os cidadãos comuns estão a pagar um preço alto pelas ambições militares do Kremlin.
“A vida mudou, ficámos na miséria. Os preços estão a subir, mas os rendimentos não aumentam — e eu até perdi o meu emprego”, afirmou uma cidadã que preferiu não revelar a sua identidade.
A invasão da Rússia à Ucrânia causou milhões de vítimas, entre mortos, feridos, refugiados e populações deslocadas, bem como a destruição de muitas cidades e infraestruturas na Ucrânia.







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