Quenianos vão às urnas para escolher o futuro Presidente

O Quénia elege hoje um novo Presidente em eleições gerais renhidas, marcadas pelo aumento do custo de vida. São quatros candidatos que correm à sucessão de Uhuru Kenyatta, que não se recandidatou à presidência do país.

Além do chefe de Estado, os quenianos elegem também os deputados para o Parlamento local e nacional.

A campanha eleitoral decorreu de forma pacífica, mas não dissipou o receio de repetição da violência ocorrida em eleições anteriores.

Em entrevista exclusiva à DW África, o presidente da Comissão Eleitoral, Chair Wafula Chebukati, garantiu que está tudo a postos para a votação: “A comissão está muito bem preparada para esta eleição.”

Chebukati disse ainda que concederá aos meios de comunicação social e à sociedade civil autorização para criar centros paralelos para assegurar a transparência dos resultados das eleições de 9 de agosto.

Mas também avisou que compete apenas à Comissão Eleitoral divulgar os resultados finais das eleições. “O anúncio do vencedores é da competência da comissão. Por isso, acreditamos que com toda essa transparência, devemos poder ter uma eleição muito pacífica”, disse.

William Ruto vs. Raila Odinga

O vice-presidente do Quénia, William Ruto, de 55 anos, e o antigo primeiro-ministro Raila Odinga, que concorre pela quinta vez, são os dois favoritos a vencer a corrida presidencial, numa das eleições mais disputadas de África.

Os advogados George WaDjackoyah e David Mwaure também concorrem ao cargo, mas sem qualquer hipótese realista de vitória.

A Constituição proíbe o atual Presidente Uhuru Kenyatta de concorrer novamente após dois mandatos de cinco anos. Mas surpreendentemente, Kenyatta deu o seu apoio ao líder da oposição veterano Raila Odinga, de 77 anos, pondo fim a uma disputa familiar amarga de décadas entre duas das famílias políticas mais ricas do Quénia.

Grave crise económica

A questão em cima da mesa é de que forma os candidatos pretendem resolver a atual crise económica e financeira no país. Os quenianos dizem que o custo de vida quase triplicou nos últimos anos. Por isso, querem que isso seja prioridade para o novo Presidente.

O economista XN Iraki explica o que está a aumentar a inflação no país: “Restrições de abastecimento, falta de investimento na agricultura, a guerra na Ucrânia, todos eles têm participado na subida da inflação. Não conseguem obter alimentos suficientes. Não podem viajar para onde querem, não podem pagar taxas, pelo que as pessoas afetadas pelas inflações são, na sua maioria, as pessoas sob os escalões mais baixos da sociedade.”

Estes constrangimentos estão a aumenta a pobreza no Quénia, observa outro economista, Gift Mugano: “Há 49% das pessoas que vivem em extrema pobreza. Não será um bom instrumento para enfrentar os actuais desafios que ocorrem na economia, particularmente a espiral cambial, e os picos de inflação”.

O escrutínio conta com mais 22 milhões de eleitores inscritos, mais de metade são mulheres. Foram distribuídas pelo país pouco mais de 46.200 mesas de voto, que estarão abertas até às 17:00, de acordo com dados fornecidos pela Comissão Eleitoral Independente.

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