Sissoco junta-se a Macron nas críticas à guerra na Ucrânia

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, condenou a invasão russa da Ucrânia durante a visita do chefe de Estado francês à capital guineense. Emmanuel Macron anunciou um apoio de 3 milhões de euros.

Foi uma visita histórica, por ser a primeira de um Presidente francês à Guiné-Bissau em décadas de cooperação entre os dois Estados.

Emmanuel Macron, que chegou a Bissau na noite de quarta-feira (27.07), reuniu-se hoje com o Presidente guineense, no Palácio da República, antes de deixar o país.

Em declaração conjunta, os dois chefes de Estado comprometeram-se a consolidar as relações bilaterais. E dois dias depois de Macron ter condenado a “hipocrisia” de África por não culpar a Rússia pela guerra na Ucrânia, o Presidente guineense Umaro Sissoco Embaló assumiu uma posição em relação ao conflito.

“Efetivamente, a Guiné-Bissau, apesar de ser um país não alinhado, condena esta agressão à Ucrânia”, declarou Sissoco. “No século XXI, não podemos aceitar a guerra, sobretudo entre vizinhos, e vimos as repercussões que esta guerra criou ao mundo, não é justo para a Rússia ou para a Ucrânia.”

Apoio orçamental de três milhões de euros

O chefe de Estado guineense considerou a visita de Macron de “grande interesse” e pediu o apoio da França para combater vários males que ameaçam a sub-região, nomeadamente o terrorismo e o tráfico de drogas.

Em resposta, o Presidente francês reiterou a sua condenação à tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau, em fevereiro último, e comprometeu-se a apoiar o país no combate ao narcotráfico, por exemplo, com a formação de militares.

Macron anunciou três milhões de euros em apoio orçamental à Guiné-Bissau e o financiamento de vários projetos de desenvolvimento no país.

“Vamos participar na reabertura da Guiné-Bissau em direção aos parceiros internacionais, por causa da estabilidade encontrada [no país]”, disse o chefe de Estado.

“A França vai apoiar a economia guineense num contexto causado pela pandemia da Covid-19 e agravado pela guerra na Ucrânia. Vamos ainda financiar um projeto no domínio da agricultura, no valor de um milhão de euros, para a formação de 15 jovens guineenses na Costa do Marfim.”

Uma “nova narrativa”?

O professor universitário Joaquim Silva diz que a visita de Emmanuel Macron à Guiné-Bissau pode trazer um virar de página: “Pode significar, para a Guiné-Bissau e para o chefe de Estado guineense, uma nova narrativa na relação com os parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau, incluindo a Europa e em particular a França, um país que tem peso económico na União Europeia.”

Entretanto, o Espaço de Concertação dos Partidos Democráticos, do qual faz parte o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e a União para Mudança (UM), endereçou uma carta aberta ao Presidente francês.

No documento, os partidos destacam as violações dos direitos humanos na Guiné-Bissau.

“Chamamos a atenção para que esta visita não venha a legitimar o comportamento de um regime que foi severamente atacado no último relatório do Departamento de Estado norte-americano sobre a liberdade, os direitos humanos e a corrupção”, resumiu Armindo Handem, da UM.

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