Ucrânia: UE pode alterar sanções contra Rússia caso afetem preços de alimentos

União Europeia (UE) defende que as sanções contra a Rússia “não são responsáveis pelos elevados preços dos alimentos ou fertilizantes”, mas que é possível alterá-las caso haja um “efeito indireto” sobre estes mercados.

De acordo com o Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Josehp Borell, há atores económicos que “estão a exagerar” na sua reação face às sanções.

“Podendo fazer algo que não está proibido, não o fazem por medo de ter problemas”, afirmou nesta segunda-feira (25.07) Borrell na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander, no norte de Espanha, segundo noticia a agência noticiosa espanhola EFE.

Josep Borrell acrescentou que já alertou os ministros dos negócios estrangeiros dos países africanos que as sanções da UE à Rússia, pela invasão à Ucrânia, “não entravam as suas importações de trigo ou fertilizantes”.

“Se houver algum fenómeno que tenha impacto sobre essas exportações russas, é claro que o analisaremos e o eliminemos”, acrescentou.

“Narrativa russa”

O alto representante europeu alertou para o que diz ser uma “narrativa russa” que tenta “apresentar ao mundo” que as sanções pela União Europeia são a razão para os elevados preços da energia ou dos alimentos, sublinhando que estas “excluem expressamente os alimentos e fertilizantes”.

“Não podemos culpar as sanções, mas se tais coisas acontecerem — que poderiam decorrer de efeitos indiretos –, vamos certamente monitorizá-las e avisar os operadores para que tal não aconteça”, acrescentou.

Sobre as críticas contra as sanções, Borrell considerou que têm um efeito “não imediato”, mas que a Rússia “vai ser afetada” em setores “mais críticos”, como a tecnologia.

Fornecimento de gás reduzido

Pressionada pelas sanções do Ocidente, a Rússia tenta devolver na mesma moeda com a redução do fornecimento de gás.

O grupo russo Gazprom anunciou na segunda-feira que vai reduzir drasticamente, a partir de quarta-feira (27.07), o fornecimento de gás russo à Europa através do gasoduto Nord Stream, justificando a redução com a manutenção de uma turbina.

“A capacidade de produção da estação de compressão Portovaïa passará para 33 milhões de m3 diários em 27 de julho às 07:00” (05:00 em Lisboa), indicou a Gazprom, ou seja, cerca 20% da capacidade do gasoduto contra os 40% atuais.

Nesta terça-feira (26.07), realiza-se em Bruxelas uma reunião dos ministros da Energia do bloco europeu sobre a possibilidade de um acordo para a redução do consumo de gás na União Europeia.

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