Associação dos Taxistas da Praia acusa empresa ‘Zoomly’ de “promover a clandestinidade” nos serviços que oferece

A Associação dos Taxistas da Praia acusou ontem, dia 9, empresa do aplicativo “Zoomly”, que oferece serviço de táxi, de promover “a clandestinidade” nos serviços que presta, por alegadamente estar a usar veículos não licenciados para operar como táxi.

Em declaração à Inforpress, o presidente da Associação dos Taxistas da Praia, Adriano Monteiro, explicou que o aplicativo Zoomly, que foi lançado no dia 15 de Dezembro de 2021, tem operado com veículos particulares, oferecendo os serviços de táxi, o que directamente prejudica a classe dos taxistas.

“Temos concorrência desleal com carros que fazem o serviço de táxi clandestinamente, e agora temos que concorrer com uma empresa que oferece serviços de táxis através de carros particulares, promovendo mais ainda a clandestinidade, Um carro que não está licenciado, não paga impostos, não tem licença de aluguer, no meu ponto de vista, não pode estar a operar como táxi”, denunciou.

Segundo Adriano Monteiro, a associação não é contra o uso de aplicativo nos serviços de táxis, desde que não prejudique a classe dos taxistas e não colabore para o aumento da concorrência desleal dos veículos que não têm as mesmas obrigações fiscais que os táxis licenciados.

“Temos conhecimento que o aplicativo de táxi “Zoomly” está a beneficiar os táxis clandestinos, e é bem claro, porque usam o logotipo do aplicativo para identificar que o automóvel presta serviços do aplicativo. Mesmo no aplicativo, quando o utente utiliza o serviço, existe lá a opção de ser um serviço de táxi ou de um carro particular”, explicou.

Por sua vez, o presidente da Assembleia Geral da Associação dos Taxistas da Praia, Carlos Vaz, lembrou que inicialmente a proposta da empresa era auxiliar e promover os serviços de táxi, mas que hoje o próprio aplicativo tem a opção de escolha, abrindo oportunidade para os clandestinos operarem como profissionais licenciados.

“Os pedidos no aplicativo são encaminhados para os carros particulares, os condutores, na sua maioria, não são profissionais, não têm nenhum módulo de identificação legal, o que prejudica os serviços de táxis. As receitas no serviço de táxi estão cada vez mais escassas, ainda mais com o aumento do preço dos combustíveis”, sublinhou.

De acordo com Carlos Vaz, a empresa Zoomly não tem autorização legal para prestar os serviços de táxi. Por isso, pede uma maior fiscalização da parte das autoridades competentes, a fim de “dar um basta” aos serviços de táxis clandestinos e dos carros particulares que estão a operar como táxi.

“Fizemos o contacto com a DGTR e podemos apurar que esta empresa não tem autorização para operar. Não é um aplicativo instalado directamente no veículo, o que não impede que as pessoas instalem e registam, tanto como prestador de serviço como utente, o que não dá margem de actuação para a DGTR”, sustentou.

Por seu turno, a directora-geral de Viação e Segurança Rodoviária, Dina Andrade, esclareceu que não é da competência da DGTR conceder as licenças para o serviço de táxi, nem dos aplicativos que oferecem os serviços de Uber (carros particulares que prestam serviços de transporte público de passageiros).

A Inforpress tentou contactar a Câmara Municipal da Praia, para esclarecimentos dessa situação, mas não teve sucesso.

Contactada a empresa aplicativo Zoomly, também se mostrou indisponível para prestar esclarecimentos.

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest