Badia Guerreira: “O cancro levantou o meu ego e fez-me sentir a mulher mais linda do mundo”

 Vera Lúcia Silva adotou o nome de de “Badia Guerreira” ao travar um dos desafios mais difíceis da sua vida – a guerra contra o cancro – de tal modo que passou a “sentir-se a mulher mais linda do mundo”.

Mãe de dois filhos, que se define como uma verdadeira mulher de 40, revelou à Inforpress que soube gerir a descoberta do cancro da mama, em 2017, “de uma forma sensacional”, alegando que se transformou plenamente numa outra mulher, a tal ponto que hoje em dia está a aproveitar este contratempo para promover conferências, palestras e debates sobre a doença.

“O cancro para mim não era nada desconhecido. Sempre li sobre esta doença. Por isso, ao ter sido diagnosticado com cancro, a doença teve menos impacto em mim”, disse Vera à Inforpress, adiantando que esta descoberta proporcionou-lhe abrir novos horizontes, porquanto, trilhou o caminho do autoconhecimento, para treinar as suas próprias emoções.

Passados cinco anos sobre este diagnóstico, Vera Lúcia que se revelou anti preconceituosa e que já passou por várias intervenções cirúrgicas em Cabo Verde (inclusive a perda da mama) e quimioterapias, disse que nunca recebeu o “cancro como uma sentença da morte, mas sim como um veredicto de vida”.

Submetida às 16 sessões de quimioterapia, iniciadas em Janeiro de 2018, em Cabo Verde, Vera Lúcia disse que a sua forma de encarar esta enfermidade fez-lhe desafiar a própria patologia, já que, sem saber como, contrariamente ao que tem sido prática, sentiu “fome em vez de enfastiamento, aumentou de peso em vez de emagrecimento e passou a ter mais sonolência, em vez de insónia”.

“Durante todas estas sessões nunca deixei de trabalhar, porque o trabalho foi uma terapia para mim. Nunca fiquei em casa, porque não sou dada às lamentações dos outros sobre mim. Sempre encarei o cancro como algo positivo”, explicou para decifrar que terminada seis meses de quimioterapia, teve de travar uma “verdadeira batalha”, ao ser evacuada para Portugal para prosseguir tratamentos.

Nas terras lusas, afiançou, teve de lutar até encontrar um espaço e que soube lidar para transformar o seu fracasso numa forte ferramenta até tornar-se membro da Associação Amiga do Peito, tendo ali desempenhado um papel importante no apoio às mulheres de Cabo Verde com cancro de mama, no Hospital Santa Maria.

Visitas a monumentos, palácios, museus, igrejas de entre outros pontos turísticos de Norte a Sul de Portugal, foi interpretada por Vera Lúcia como verídicas sessões de terapias, ao mesmo tempo que contribuiu para o enriquecimento da sua própria cultura, razão pela qual considera que o câncer levantou o seu ego e fez-lhe “sentir a mulher mais linda do mundo”.

Nessa época, explicitou, descobriu a sua vocação enquanto modelo, com a estilista são-tomense, Duda Quaresma, defensora da causa feminina e que a inspirou para sessões fotográficas nas terras de Camões.

“Quando encaramos o cancro de uma forma descontraída, brincando, passeando, divertindo, aprendendo, encontramos a cura de uma forma muito mais fácil. Fazer voluntariado é um ato de amor, também é um mecanismo de terapia porque deixamos de focar na nossa dor para ajudar os outros”, assegurou.

Consciente que ainda se encontra no meio do processo de cura, por entender que necessita de 10 anos para tomar alta, Badia Guerreira disse que continua evidenciado no viver o agora, num momento que aproveitou desta patologia para expor o seu dom artístico, a ponto de se tornar numa verdadeira artista plástica e poetisa. Gaba-se de compor a sua primeira poesia, “Badia Guerreira”.

Vera Lúcia Silva que depois de três anos de tratamento voltou à terra natal, teve de viajar recentemente a Portugal, onde esteve na Gala Miss Kamakosa 51 Queen.

Trata-se de um projeto da modelo e estilista angolana, Carla Debbie, que no Hotel Ramada, em Lisboa, promoveu um desfile envolvendo 35 mulheres dos 40 aos 65 anos pela concretização de um sonho, pela solidariedade para com o povo da Ucrânia, pelas novas amizades e o nascer de uma nova auto-estima.

Figura ativa nas redes sociais e já com uma verdadeira legião de fãs, Badia Guerreira afiançou que aprendeu a valorizar-se para conseguir dar de si ao outro, consciente de que, primeiramente, terá de amar a si própria, de modo a exigir que seja amada, numa altura que tem estado sistematicamente solicitada para proferir palestras em instituições diversas como livrarias, universidades, serviços de saúde.

Inforpress

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest