Brava: Associação Biflores diz estar focada na recuperação da biodiversidade da ilha

A bióloga responsável pelos projectos terrestres da associação Biflores, Dilma Lopes, anunciou ontem, dia 3, que a associação está a trabalhar com foco na recuperação da biodiversidade existente na ilha.

Em entrevista à Inforpress, no dia em que se comemora o Dia Mundial da Vida Selvagem, este ano sob o lema “Recuperar espécies-chave para restaurar os ecossistemas”, Dilma Lopes considerou que no país a vida selvagem “é tudo”, mas que há muito por fazer para que haja uma recuperação progressiva

Segundo a mesma fonte, o lema deste ano tem como objectivo chamar atenção para o estado de conservação de algumas espécies de fauna e flora selvagens mais ameaçadas de extinção e promover “uma ampla e construtiva discussão” sobre a temática da recuperação e da preservação da vida selvagem.

Pois, conforme explicou, Cabo Verde possui diversidade de vida selvagem tanto na fauna como na flora, mas há muita pressão antrópica, com um percentual muito elevado, além da pressão natural, sublinhando que é preciso “trabalhar muito”, reunir instituições, ONG, associações comunitárias para que haja uma recuperação das espécies de vida selvagem.

Em relação à ilha Brava em particular, a bióloga indicou que há grande diversidade de espécie de flora, mas que também há grandes ameaças.

E neste momento, explicou que a Biflores está a fazer a recuperação da área da bacia hidrográfica de Fajã d´Água, tentando reabilitá-la, porque nesta bacia há uma grande diversidade de plantas endémicas, e o foco daqui a algum tempo é ter esta área preenchida com alguma diversidade vegetal.

A responsável anunciou que há uma espécie endémica que na Brava foi dada como extinta, a sempre-noivinha (Lobularia canariensis), mas que na realidade a mesma se encontra com um percentual muito baixo, tendo sido encontrada uma representatividade da mesma em Figueira Grande, tendo já colocado uma muda no viveiro do jardim botânico, na Biblioteca Municipal da Brava.

Como associação ambiental reforçou que estão a trabalhar com foco na recuperação de toda a biodiversidade existente na ilha e como bióloga está a trabalhar na reflorestação de plantas endémicas e recuperação de todas as espécies vegetais endémicas, esperando o apoio de toda a comunidade para poder ter uma vida selvagem sustentável

A nível marinho, Gelsom Monteiro, biólogo responsável pelos projectos marinhos realçou que neste dia queria destacar os trabalhos que têm sido feitos nas comunidades piscatórias e nas escolas, como forma de incentivar as pessoas a trabalharem na preservação da natureza.

Aproveitou para anunciar um projecto que já se iniciou e que vai ser executado em parceria com as comunidades piscatórias, o projecto Guardiões do Mar, cujo embaixador é a Fundação Maio Biodiversidade.

Este projecto, conforme explicou, consiste na ciência cidadã, onde a própria comunidade piscatória e pescadores fazem a monitorização da vida marinha, onde estes disponibilizam as suas embarcações e a Biflores disponibiliza a parte técnica, através de formações e acções de capacitação.

O dia foi escolhido em alusão à assinatura da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens, em 1973, data esta criada em 2013 na Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objectivo de conscientizar sobre a importância da fauna e da flora do planeta.

A Biflores é uma associação de conservação da biodiversidade, sediada na ilha Brava, e tem como finalidade a protecção e conservação dos ecossistemas marinhos e terrestres, da sua biodiversidade e dos recursos naturais, bem como fomentar o envolvimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade na ilha.

Inforpress

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