Brava: Simão Borges, dos cultos na Igreja do Nazareno aos palcos da vida artística

Simão Borges é um jovem de 32 anos, natural da Cidade da Praia, residente na ilha Brava, que começou a cantar hinos na igreja e hoje é um dos artistas com muita aceitação nos palcos bravenses.

Em entrevista à Inforpress, Simão Borges contou que foi a música que o escolheu, porque começou a cantar num ministério na Igreja do Nazareno, brincando com um grupo de jovens com quem levava a Palavra de Deus às diversas comunidades da ilha de Santiago e à cadeia, através de rap, como uma forma de “resgatar” os jovens das más influências, dando-lhes e mostrando-lhes outras formas de viver.

A sua mudança para a ilha Brava ditou o abandono desse ministério e, ao ficar um ano inactivo, disse ter sentido falta da música e começou a escrever os seus temas que falam de Deus mas também do ser humano em si, relacionamentos e outros temas do dia-a-dia. Por isso, há três anos, Simão Borges enveredou pela carreira artística a solo.

Questionado sobre algum trabalho ou álbum que já tenha lançado, cantor evidenciou que na plataforma digital ‘youtube’ tem 10 músicas e 8 vídeos, mas que ainda somente tem ‘singles’ mas sonha com o dia em que vai conseguir lançar um álbum tanto nas plataformas digitais como em suporte físico.

Quanto aos estilos musicais, o artista destacou que gosta de músicas tradicionais, mas nas suas composições faz sempre kizomba, rap, R&B (arenbi), mas tenciona, um dia, fazer funaná e morna.

Neste quesito, diz que está a caminhar com calma, passo-a-passo, reconhecendo que três anos na vida artística “ainda é um bebé”, aprendendo e a adaptar-se ao mundo artístico, pensando primeiro em aperfeiçoar e expandir para outras paragens que não seja somente o mercado bravense.

Já sobre as dificuldades encontradas nesta área, Simão Borges evidenciou que são as mesmas para qualquer artista bravense, começando por indicar a “exploração” e a falta de reconhecimento por parte das entidades locais, exemplificando que a câmara municipal, por exemplo, paga a um artista de fora uma quantia exorbitante e um bravense dois a três mil escudos para actuar no mesmo palco e com o mesmo público.

Além disso, reforçou que ao tentar organizar um evento na ilha para apresentação, os artistas deparam com várias dificuldades e entraves impostas pela edilidade, justificando que na apresentação de um dos seus singles, conseguiu organizar uma actividade na localidade de Cachaço, mas teve que enfrentar vários obstáculos impostas pelo próprio poder local.

Além de artista, este jovem faz animação no palco e para 2022, tem como meta ‘acasalar’ estas duas áreas, e fazer um vídeo profissional de um dos seus temas, destacando que na Brava não há uma empresa nesta área.

Aliás, é ele mesmo quem edita os vídeos que são gravados por um fotógrafo local.

Para finalizar, pede aos bravenses que “respeitem os artistas locais e que os valorizem, pois é uma forma de colocar a ilha Brava no topo, realçando que a ilha é muito rica em termos culturais, mas pouco aproveitada e valorizada pelo seu povo”.

Inforpress

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