Governo assina contratos-programa com associações sociais em São Vicente que denunciam “situação difícil”

O Ministério da Família, inclusão Social e Desenvolvimento Social (MFISD) rubricou hoje, no Mindelo, contratos-programa e protocolos com sete associações sociais que denunciaram “situação difícil” em São Vicente e pedem responsabilização dos familiares. 

No acto, que aconteceu na Biblioteca Municipal de São Vicente, o executivo esteve representado pelo director-geral do Planeamento, Orçamento e Gestão do MFISD, Filomeno Fortes, que assinou os contratos e protocolos e pela secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima.

Entidades a que a representante das organizações não governamentais (ONG) beneficiárias dos contratos-programa, Graça Gomes, aproveitou para agradecer, mas, ao mesmo tempo, pediu para dar mais atenção a situações sociais “preocupantes” no concelho.

Para a coordenadora do Centro Social SOS, o censo de 2021 veio demonstrar isso mesmo e a necessidade de um trabalho concertado, para “a devida implementação das políticas públicas existentes, mas também para chegar ao máximo de pessoas que precisam de suporte”.

“Diariamente, as associações aqui presentes deparam com situações complexas e muitas vezes sentimo-nos incapacitados, sem respostas à grande demanda de pedidos de apoios que chegam às nossas mãos”, asseverou.

Graça Gomes, por outro lado, enalteceu as políticas públicas, que têm “diminuído e muito” esses constrangimentos, apesar de desafios deparados como a pandemia e a guerra na Europa.

Daí, o apelo para que “os próximos acordos sejam mais extensos, mais profundos, baseados em gestão de resultados, a médio e longo prazos, para que realmente se possa chegar ao impacto desejado de mudanças sociais”.

A coordenadora da Associação Aos Que Sobrevivem (AAQS), Luísa Neves, por sua vez, acredita que os apoios vieram em “hora” para São Vicente, que apresenta “problemas gravíssimos”, principalmente, relacionados com a terceira idade.

“Temos visto uma proliferação de terceira idade abandonada, pelo menos aqui em São Vicente”, sublinhou a mesma fonte, para quem é esta a impressão das ONG.

Sendo assim, Luísa Neves chamou a atenção do Governo para que sejam aplicadas outras políticas para a “responsabilização” das famílias em relação aos seus entes, especialmente idosos e crianças.

Segundo a representante “não vai haver câmara, Governo e nem associação que dê conta, se não houver essa responsabilização”.

A secretária de Estado da Inclusão Social, por seu lado, realçou que o executivo desde a legislatura anterior teve a visão de fortalecer os laços com as câmaras municipais e associações, que estão mais perto das comunidades.

Por isso, ajuntou, na actual legislatura, as assinaturas dos contratos-programa arrancaram agora em São Vicente e está-se a trabalhar num documento para regulamentar a selecção das associações que devem beneficiar dos apoios.

A governante admitiu existir “novos desafios” para os quais estão a ser criadas novas estratégias, nomeadamente, relacionados com a infância e idosos.

Neste sentido, Lídia Lima enumerou medidas como o Estatuto da Terceira Idade, que deverá ser publicado brevemente, Estratégia Nacional para a deficiência e ainda actuar na prevenção com as crianças, principalmente do sexo masculino, que “estão a necessitar de uma atenção especial”.

No caso concreto de São Vicente, Lídia Lima referiu a necessidade de criação de creches, de um centro de dia para crianças e outro centro de dia para idosos.

A assinatura dos contratos e protocolos, orçados em cerca de 6.500 contos no total, beneficiou ONG como Associação Cabo-verdiana para a Terceira Idade (ACATI), Igreja do Nazareno, Centro Social SOS, Associação Novos Amigos, Associação Aos que sobrevivem, Associação Soluz e Associação dos Deficientes (Adef).

 

Inforpress

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