Governo prevê criar empresa de logística para atenuar efeitos da ruptura de estoque do milho 

O Governo anunciou hoje, na Cidade da Praia, a possibilidade de criar uma empresa nacional de logística do milho para ração para atenuar os efeitos da ruptura deste produto no mercado cabo-verdiano.  

O anúncio foi feito pelo secretário do Estado para a Economia Agrária, Miguel Ângelo da Moura, em conferência de imprensa, reagindo às informações veiculadas na comunicação social sobre o sistema de funcionamento do mercado nacional do milho de segunda e do reflexo da subida de preço do referido produto.  

“O processo de ruptura em Cabo Verde tem sido recorrente, mas desta vez tem mais a ver com algumas coisas que não dependem do Estado de Cabo Verde (…). Nós estamos, neste momento, a estudar a possibilidade de criar uma empresa nacional de logística para ver se atenuamos os efeitos da ruptura de estoque”, anunciou.  

Segundo o secretário do Estado, a ruptura pode acontecer por causa do preço do milho para ração e a quantidade de produção na origem, por isso, alguns países estão a reter os seus estoques, o que faz com o mercado abastecedor sofra essas consequências, incluindo Cabo Verde.  

Para além disso, Miguel Ângelo da Moura explicou que o estoque também é condicionado pelo custo ligado ao seguro de viagem, ao transporte e pela subida da taxa de câmbio de dólar, que sempre que sobe há retracção na oferta.  

“Todos esses factores combinados, normalmente, pressionam em baixa a disponibilidade da oferta do produto. Mas o Governo está ciente disso, por isso que nós estamos, neste momento, a estudar a possibilidade de criação desta empresa de logística, que não tem necessariamente de ser uma empresa pública”, disse.   

Segundo ele, os privados serão convidados a fazer parte desta empresa, sendo que os primeiros contactos com os operadores do sector já foram feitos, no sentido de se avançar com um estudo técnico de viabilidade para analisar como é possível mitigar os efeitos das oscilações internacionais que o País não tem como controlar.   

A ideia é, conforme o secretário do Estado para a Economia Agrária, impedir que os factores que estão relacionados com oscilação dos preços, “tenham impacto mais gravosa em cima da produção pecuária em Cabo Verde”.

O governante esclareceu que a importação do milho é uma actividade privada no País e que as empresas do sector ajustam os estoques à capacidade, primeiro dos silos, em que há uma limitada capacidade de estocagem, mas também à disponibilidade do mercado externo e a demanda interna.  

“O que nós fazemos sempre é alertar as empresas, através do Secretariado Nacional da Segurança Alimentar e Nutricional, para a situação dos estoques para manter o processo produtivo, que nem sempre é possível, porque há factores externos que não controlámos.  

Neste sentido, a mesma fonte explicou que a empresa de logística que se prevê instituir, visa também fazer a gestão dos estoques dos silos nacionais, que são públicos.  

Inforpress

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