IPC promove “Escola de Campo” a nível africano com profissionais de arqueologia subaquática de oito países

O Instituto do Património Cultural (IPC) iniciou hoje uma formação em arqueologia subaquática na Cidade Velha “Chantier-École Internacional – Santiago 24”, para reforçar a capacidade do estado em relação ao trabalho da protecção e valorização do património.

Esta capacitação, coordenada pela Unesco, envolve mergulhadores “experts” do Senegal (quatro profissionais), Gâmbia, Moçambique, Eritreia, Comores, Marrocos e Cabo Verde, e vai decorrer até ao dia 14 numa componente prática.

Os participantes já iniciaram esta manhã o mergulho para levantamento no ancoradouro da Cidade Velha, ao qual se segue no ilhéu de Santa Maria, onde se encontra uma fragata naufragada em 1809 com a missão de proceder ao registo e o mapeamento destes sítios e complementam-se com uma visita de estudo ao Museu de Arqueologia da Praia.

À Inforpress, a presidente do IPC, Samira Baessa, revelou que esta acção de formação surge no quadro dos projectos de implementação da convenção de 2001 que Cabo Verde é parte desde 2008, e que afigura-se como uma “Escola de Campo que junta profissionais de arqueologia subaquática de oito países.

“São profissionais que trabalham sobre esta matéria nos seus países e que vêm aqui em contexto da formação, orientados por especialistas para poderem aprofundar os seus conhecimentos e partilhar aquilo que tem sido os desafios desta protecção do património subaquático a nível internacional”, explicou Baessa.

Esta formação vem na sequência de outras actividades científicas, explicitou, ressaltando que Cabo Verde tem estado a beneficiar destas iniciativas no quadro do “Projecto Concha” e do “Projecto Mergulhar”, em que o arquipélago a partir de 2017 “passou a ter uma abordagem diferente em relação ao património subaquático”.

Disse que contrariamente à perspectiva implementada a partir dos anos 90 em que foram feitas várias actividades arqueológicas massivas com a extracção dos artefactos de forma “pouco ética em relacção aos princípios da Convenção”, “prática já abortada”, Cabo Verde, pretende agora trabalhar com instituição credíveis para reforçar as capacidades internas.

Com esta nova metodologia, na qual o país conta com parcerias de instituições como a Unesco e a Universidade Nova de Lisboa, o arquipélago “deixou de ter contratos de exploração de arqueologias subaquáticas”, visando reforçar a sua capacidade interna para que os profissionais cabo-verdianos possam estar verdadeiramente capacitados para estes desafios de proteger, valorizar e combater os sítios e a espoliação destes bens.

Esta formação foi considerada muito essencial não só para Cabo Verde mas também para toda a África pelo representante da Universidade Nova de Lisboa, o professor José Bettencourt, que realçou o facto do continente deixar de investir nos “experts” da área de continentes outros para tirar proveito da experiência dos seus filhos.

Inforpres

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