Juliata Cohen, a francesa que se apaixonou por Cabo Verde antes de conhecer o arquipélago

Juliata Cohen, 28 anos, é uma francesa que sonhou e se apaixonou por Cabo Verde e pela música cabo-verdiana mesmo antes de conhecer o País, e deixou tudo para trás para vir viver o seu sonho.

Juliata Cohen, na verdade, como contou à Inforpress, considera-se francesa apenas por ser França o país que a viu nascer, porque as suas raízes são de Marrocos, do lado materno, e da Tunísia, do lado paterno, cresceu em Israel, viveu dois anos em Burkina Faso e agora Cabo Verde, há um ano e três meses.


Apesar de só agora conhecer o arquipélago, Juliata Cohen disse sonhar desde pequena, ou seja, aos quatro anos, quando conheceu a cabo-verdiana Glória Delgado, de Santo Antão, que trabalhou por alguns anos na sua casa em França e com quem começou a descobrir este “pequeno paraíso”, através da sua “energia e maneira de ser” e que a deu “mais vontade” de conhecer “mais cabo-verdianos”.


Em Israel, contou, a jovem de 28 anos, que também é cantora, reencontrou-se com a cabo-verdianidade através das músicas de Princezito, chegando mesmo a gravar versões de “Lua” e “Tan Kalakatan”.


“Mandei os vídeos para Pincezito e ele adorou, começamos a falar e ele disse-me que morava em Santiago, no Tarrafal, e tinha uma música para mim e eu disse-lhe, então eu vou para Cabo Verde”, contou Juliata Cohen, que até persuadiu o namorado, com que vivia em Israel, a vir também.


“Mas, ele regressou depois de dois meses, mas continuamos amigos e conto-lhe tudo que me tem acontecido por aqui e ele está muito contente por me ver realizar o meu sonho”, declarou, admitindo sentir-se em casa em Cabo Verde, e ter estado em quarentena em Santiago, dividida entre Praia e Tarrafal.


Juliata disse ter aproveitado o período de confinamento para “apreciar” a natureza e até escrever algumas composições em crioulo, que deverão fazer parte do seu futuro álbum, que, “com certeza”, trará as influências de “todas as aventuras” vividas pelos vários cantos do mundo.


Após a abertura, a cantora já fez alguns concertos, aprendeu outras músicas com outros artistas, que conheceu através das redes sociais, entre estes a Fattú Djakité, com quem mora no Tarrafal, e diz sentir-se “irmã, partilhando a mesma energia, os mesmos valores e com quem está junto todos os dias”.


E foi com a Fattú Djakité e família que viajou na semana passada para São Vicente, ilha que também ansiava conhecer e onde está hospedada na casa da amiga Glória Delgado, que a deixou as portas da sua moradia aberta para quando visitasse ao Mindelo.


A mesma cidade que poderá ser o palco da gravação da sua última composição, interpretada em cinco línguas, francês, inglês, bambara [língua de Burkina Faso e Mali], crioulo cabo-verdiano e hebraico de Israel.


“Penso que o meu álbum será feito com as minhas composições e com o mix de línguas, mas também de muitas influências e das histórias da minha vida, porque quero que toda gente o entenda. Quero que seja um álbum universal”, sublinhou a cantora, que ainda não tem data para lançar o seu trabalho.


Por agora, Juliata assegura que quer ficar ainda mais tempo em Cabo Verde, já que esteve parada por cerca de oito meses e ainda tem “muitas coisas” para aprender e conhecer.


Pretende visitar todas as ilhas para apresentar a sua cultura e suas paixões, divididas entre música e artesanato, aliás, é através do artesanato, igualmente tradutor da sua mistura cultural, que também ganha a vida.


“O que vivi neste um ano e três meses, sinto que é só o começo de algo forte, por isso fiz bem em seguir o meu coração. Tinha sonhos com Cabo Verde de noite em Israel e via pessoas a me chamar para vir e avós a me dar bênção, e, agora aqui, sinto que não é primeira vez que venho. Este era o meu destino”, finalizou.

 

Inforpress/Fim

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Deixe um comentário