Moldura humana na vigília é sinal de que cabo-verdianos estão “sensíveis” aos problemas dos outros – cardeal

Largas dezenas de praienses reuniram-se hoje, em vigília pela paz no mundo, na praça Cruz do Papa e, para o cardeal Dom Arlindo, isto é sinal de que os cabo-verdianos estão “sensíveis” aos problemas dos outros.

“Isto é sinal de que somos humanos e estamos sensíveis aos problemas dos nossos irmãos, mesmo fisicamente longe”, afirmou o bispo de Santiago, para quem o que está a acontecer com os outros pode também ocorrer com Cabo Verde.

O cardeal Dom Arlindo Furtado fez estas considerações ao ser abordado pela imprensa no final da vigília na praça da Cruz do Papa, onde foi erguido um monumento para eternizar a visita a Cabo Verde do Papa João Paulo II, hoje canonizado santo pela Igreja Católica.

“A solidariedade humana dá sinal de que está a funcionar entre nós porque existe a virtude humana de que devemos ser solidários”, indicou o prelado.

Instado por que razão a sua Igreja aderiu à iniciativa promovida pela Comissão Nacional para os Direitos Humanos, explicou que a Igreja Católica, como qualquer instituição humana, tem como objectivo “servir a humanidade”.

“Nada tem sentido se não for útil à humanidade, sobretudo neste momento em que a humanidade está a ser esmagada, parcialmente na Ucrânia e em outros pontos do mundo”, admitiu Dom Arlindo Furtado, acrescentando que os seres humanos devem juntar as suas forças para “gritar” e dizer que “estamos a sofrer” e que a guerra “não é necessária”.

“A guerra não resolve nada e só complica. Pertencemos todos à mesma humanidade e, por isso, quando uns sofrem, devemos ser todos solidários”, defendeu o bispo de Santiago.

Segundo as suas palavras, Cabo Verde é um país pequeno e as suas vozes não chegam a tantos lugares do mundo, “mas somos a mesma humanidade e temos o direito de sentir e gritar”.

Para ele, deve-se “incutir” nas crianças a atitude de paz, de diálogo, reflexão, partilha, de tolerância e de procura de solução pacífica de conflitos”.

“É preciso termos a consciência de que nós é que devemos cuidar uns dos outros e não esmagar uns aos outros”, exortou o chefe da Igreja Católica na região do Sotavento.

Na perspectiva da presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC), a citada vigília realiza-se num lugar com uma “simbologia forte”, ou seja, onde foi erguida uma estátua em homenagem à visita do Papa João Paulo II.

Zaida Freita apelou aos líderes mundiais no sentido de conseguirem “outras formas de resolução de conflitos”.

“Os conflitos vão existir sempre porque fazem parte das relações humanas, mas temos de ter formas de os resolver sem recorrer à violência”, advertiu a presidente da CNDHC.

Por sua vez, o presidente da Plataforma das ONG, Jacinto Santos, uma das parceiras do referido evento, apelou que as armas se calem na Ucrânia e que as partes beligerantes se sentem à mesa das negociações.

Desejou que esta solidariedade chegue não só aos ucranianos, mas também aos russos vítimas desta guerra “incompreensível e irracional”.

O evento foi promovido pela Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC), em parceria com as Igrejas e a sociedade civil.

A Rússia lançou, na madrugada de 24 de Fevereiro, uma ofensiva militar à Ucrânia e as autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças. Segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de 1,2 milhões de refugiados.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar e “desnazificar” o país vizinho, afirmando ser a única forma de a Rússia se defender e garantiu que a ofensiva durará o tempo que for necessário.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

Inforpress

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