O maior desafio dos pequenos estados insulares é o de sua integração na economia africana – Jacinto Santos

O presidente da Plataforma das ONG, Jacinto Santos, considerou esta sexta-feira, no Sal, que o maior desafio dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) é o de sua integração na economia africana.

“Este é para mim o maior desafio, que tem um vasto mercado, uma imensidão à frente. E este é o desafio que tem dimensão económica, institucional, política e a dimensão cultural, a qual, muitas vezes, não percebemos”, declarou.

Jacinto Santos fez essas declarações num painel em que participou, sobre ”Os SIDS e a Cooperação Sul-Sul, Oportunidades para a Cooperação Internacional”, no âmbito da Conferência Económica Africana que vem decorrendo no Sal, desde quinta-feira, devendo terminar hoje.

Jacinto Santos, segundo o qual todas as estatísticas revelam o quanto os pequenos estados insulares em desenvolvimento estão “pouco incluídos” nas políticas do continente, denota, neste particular, que a “justificação é a mesma”.

“Tem sido sempre a descontinuidade territorial, o afastamento físico das ilhas do continente. Esta justificação, do meu ponto de vista, não pode continuar para sempre”, comentou.

“Porque, efectivamente, só a integração permite às pequenas economias insulares africanas participarem em cadeias regionais, continentais e globais de valor, conferindo escala”, concretizou, asseverando que a escala dos países insulares não está em si mesma, mas sim no continente africano, conforme explicou.

“Portanto, a descontinuidade territorial, reconhecido o seu peso, não pode continuar a ser o elemento central do nosso raciocínio. Todos os dados mostram o esforço que Cabo Verde tem feito para se inserir de uma forma mais efectiva, com ganhos, sobretudo económicos, na CEDEAO”, exteriorizou.

Mas, “paradoxalmente”, de acordo com aquele responsável, do grupo dos Estados Insulares, Cabo Verde, segundo estudos, é o “maior contribuidor” per capita da CEDEAO.

“Parece um contrassenso”, comentou, exemplificando que as “grandes políticas” da CEDEAO, sobretudo no domínio dos transportes “não impactaram, até ainda”, o desenvolvimento de Cabo Verde.

Jacinto Santos concluiu, acreditando, que a opção geoestratégica para o desenvolvimento de Cabo Verde não deixa outra saída que não a de “procurar, insistentemente, pacientemente”, a integração do País na região da CEDEAO.

A Conferência Económica Africana centra-se, este ano, no repensar os modelos e mecanismos de financiamento para dotar os países do continente de soluções inovadoras, nomeadamente soluções intra-africanas, para apoiar a recuperação da pandemia de covid-19 e o desenvolvimento acelerado em África.

O evento, promovido pelo BAD, UNECA e PNUD, e que decorre em formato híbrido, reúne chefes de Estado e outras autoridades de vários países africanos, especialistas das áreas económica e financeira académicos e investigadores africanos para promover uma recuperação mais inclusiva e sustentável do impacto da pandemia de covid-19.

Inforpress

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