“O espaço para tratar a doença mental é na comunidade”, recomenda psiquiatra 

O coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, Aristides da Luz, assegurou que uma das principais recomendações saídas do fórum realizado, no Mindelo, é que os portadores de doença devem ser tratados na comunidade.

O primeiro fórum de saúde mental de São Vicente, que começou na sexta-feira e terminou hoje, foi, segundo a mesma fonte, algo “inédito”, porque, abordou a saúde mental como um todo, e não somente em relação à doença e aos cuidados hospitalares.

Aristides da Luz recomendou a se chamar as outras entidades, que “têm um papel importante”, para a questão da doença mental, que tem a comunidade como “melhor espaço” para ser tratado.

“Aqui não há recomendações para abrir espaços, aumentar os leitos hospitalares, a questão é cada vez mais prestar os cuidados de saúde mental na comunidade, lá onde as pessoas vivem e que todos são importantes nesse processo”, reiterou.

É preciso, asseverou, acabar com o rótulo de doentes mentais e reinserir os pacientes na família e na comunidade.

“As pessoas não precisam ser identificadas pela sua condição de doença e muito menos de doença mental”, sustentou.

Reafirmando a necessidade de participação de outras entidades na saúde mental, Aristides da Luz apontou o exemplo da justiça e da sua aplicação quando pessoas portadoras de alguma doença mental crónica cometem um crime.

“As nossas leis ainda vêem as pessoas com doença mental como um perigo, então quando essa pessoa comete um crime, há um desfasamento em relação ao processo de tratamento e de reinserção que a lei não acompanhou”, advogou o psiquiatra, para quem é preciso haver alguma mudança.

Abordando ainda o assunto na perspectiva de prevenção, o coordenador do programa nacional, acredita que esta é a “melhor arma”, e deve começar primeiro na comunidade e não isolando a pessoa, ou a confinando a espaços com vários pacientes também com doença mental.

A presidente da Assembleia Municipal de São Vicente, Dora Pires, que presidiu ao encerramento, considerou, por seu lado, que o fórum “chegou em boa hora”, porque a pandemia “mexeu muito” com a saúde mental das pessoas.

Dora Pires lembrou que a doença mental pode levar a desfechos como o suicídio e apontou às estatísticas de suicídio na ilha de São Vicente, que, segundo a mesma fonte, ainda nesta sexta-feira teve dois suicídios, cinco de Janeiro à Março, e dez em 2021.

Daí, ajuntou, o apelo para que as recomendações do fórum cheguem aos dirigentes, que são os que podem tomar medidas, combater a situação e “aliviar dores e sofrimento”.

O evento, que teve por lema “Saúde mental, responsabilidade de todos” culmina na manhã deste domingo, 03, com uma caminhada pelas ruas e avenidas da cidade do Mindelo, com o objectivo de demonstrar a importância do exercício físico na saúde mental.

Inforpress

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