Eleições: Professores portugueses em São Vicente queixam-se de não poderem votar

Uma dúzia de professores destacados de Portugal para o polo do Mindelo da Escola Portuguesa de Cabo Verde queixaram-se ontem, dia 27, à Lusa de não poderem votar antecipadamente nas eleições legislativas.

Os docentes tinham sido avisados que poderiam votar entre hoje e quinta-feira no escritório consular da ilha de São Vicente, no Mindelo, segunda maior cidade do arquipélago e onde a Escola Portuguesa de Cabo Verde abriu um polo, neste ano letivo.

Mas na segunda-feira receberam a informação de que só é possível votar na cidade da Praia, capital cabo-verdiana, na ilha de Santiago, 300 quilómetros a sul e à qual só se chega de barco ou avião, viagens nem sempre previsíveis.

Ou seja, seria preciso faltar ao trabalho, encontrar viagens disponíveis até sexta-feira, pagá-las e suportar alojamento na Praia até ao regresso ao Mindelo.

“Isto não cabe na cabeça de ninguém. Hoje liguei para a embaixada [de Portugal na Praia] durante toda a manhã e ninguém me atendeu”, referiu Joaquim Gonçalves, subdiretor da escola, em busca de uma alternativa para poder votar.

“Depois não se podem queixar da abstenção ou de os cidadãos andarem arredados da vida democrática. Eu sempre votei. É a primeira vez que não vou votar”, lamentou.

O docente diz ser também a voz de outros professores e cidadãos portugueses “que não vão poder exercer o seu direito” no escritório consular, contrariando a informação que receberam em 06 de fevereiro, sobre um espaço onde noutras ocasiões já funcionou uma mesa de voto.

Joaquim Gonçalves classifica como “uma tremenda falta de democracia” que Portugal, “ao mesmo tempo que celebra 50 anos do 25 de Abril, não consiga garantir o direito de voto aos seus cidadãos, onde quer que eles estejam”.

O caso é ainda mais irónico porque Joaquim e outros docentes estão no Mindelo, deslocados pelo próprio Estado português, que agora os “impede” de votar, acrescentou.

“Se houver vontade política de garantir a todos os cidadãos o seu direito de voto, acho que se consegue [encontrar uma solução], porque, hoje em dia, as comunicações estão à distância de um clique”, referiu.

Alguns professores já endereçaram reclamações à Comissão Nacional de eleições (CNE), indicou Joaquim Gonçalves, que continua a tentar entrar em contacto com as autoridades portuguesas.

Entretanto, fonte consular portuguesa na cidade da Praia disse à Lusa que “não houve autorização” do Ministério da Administração Interna (MAI) para abertura de uma mesa de voto no Mindelo.

Questionada sobre mais detalhes da situação, a mesma fonte remeteu para a informação que se encontrada divulgada publicamente: os eleitores que se encontrem deslocados (por motivos de trabalho, saúde, estudo, desporto ou a acompanhar um familiar nas mesmas circunstâncias) podem votar na embaixada de Portugal, na Praia, entre hoje e quinta-feira.

Lusa

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