Gabão: CEDEAO nomeia presidente da República Centro-Africana como mediador

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nomeou o presidente da República Centro-Africana, Faustin Archange Touadéra, como mediador da organização para dialogar com os militares que tomaram o poder no Gabão.

De acordo com os meios de comunicação locais, citados pela agência espanhola de notícias EFE, Touadéra foi nomeado facilitador numa reunião online extraordinária da organização, convocada pela CEDEAO, cuja presidência é ocupada precisamente pelo presidente do Gabão, Ali Bongo, deposto quarta-feira.

Num comunicado citado pela EFE, a CEDEAO condenou “o uso da força como via de resolução de conflitos políticos e de acesso ao poder” e defendeu a realização de um “diálogo republicano” que permita “tomar todas as medidas para um rápido retorno à ordem constitucional”.

O bloco regional, que tem a sua sede na capital do Gabão, Libreville, prevê enviar o presidente centro-africano ao país para começar as conversações com os diferentes atores da sociedade gabonesa.

Um grupo de militares gaboneses tomou o poder na quarta-feira, alegando que as eleições realizadas no passado sábado, dia 26 de agosto – que deram a vitória a Ali Bongo, mas foram contestadas pela oposição -, não foram transparentes, credíveis ou inclusivas, e acusando o executivo de governar de forma “irresponsável e imprevisível”, deteriorando assim a “coesão social”.

Os golpistas colocaram Ali Bongo em prisão domiciliária por “alta traição às instituições do Estado” e “desvio massivo de fundos públicos”, entre outros alegados crimes, e anunciaram a nomeação do general Brice Oligui Nguema, comandante da Guarda Republicana, como novo “presidente de transição”.

A família de Ali Bongo Ondimba – que se tornou presidente após a morte do seu pai, Omar Bongo, em 2009 – está no poder desde 1967.

O golpe de Estado no Gabão, uma das potências petrolíferas da África subsaariana, é o segundo a ocorrer em África em pouco mais de um mês, depois de o exército ter tomado o poder no Níger, em 26 de julho.

O Gabão juntou-se assim à lista de países palcos de golpes de Estado em África nos últimos três anos, que, para além do Níger, inclui o Mali (agosto de 2020 e maio de 2021), a Guiné-Conacri (setembro de 2021), o Sudão (outubro de 2021) e o Burkina Faso (janeiro e setembro de 2022).

Lusa

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest