Afeganistão: Imposto recolher obrigatório para impedir o avanço do Talibã

As autoridades do Afeganistão impuseram, neste sábado, 24, um toque de recolher nocturno indefinido em quase todo o país, enquanto as forças do governo lutam para conter os avanços do Talibã.

 

O grupo insurgente islâmico obteve ganhos rápidos no campo de batalha, nas últimas semanas, aproximando-se das capitais de todas as 34 províncias afegãs e da capital do país, Cabul.


Um porta-voz do Ministério do Interior afegão disse à VOA que todas as províncias foram colocadas sob recolher obrigatório entre as 22:00 às 4:00 horas, com excepção das províncias de Cabul, Nangarhar e Panjsher.


“Os grupos frequentemente realizam actos terroristas e outros actos subversivos tarde da noite, então uma restrição nocturna ao movimento público foi imposta para conter a violência”, disse Ahmad Zia Zia.


Ofensiva


O Talibã desencadeou uma ofensiva generalizada, no início de Maio, quando os Estados Unidos e os aliados da NATO começaram a retirar as suas últimas tropas restantes do Afeganistão. Desde então, os insurgentes invadiram mais da metade de cerca de 420 distritos afegãos, sem combates em muitos casos.


Na semana passada, os militares dos EUA disseram que 95% da sua retirada foi concluída e que o processo está em vias de terminar no final do próximo mês.


A intensificação dos ataques do Talibã forçou os militares dos EUA, nos últimos dias, a lançar ataques aéreos para permitir que as forças de segurança afegãs travassem os avanços dos insurgentes.


O governo afegão atribuiu as perdas no campo de batalha à falta de apoio aéreo dos EUA para as forças de segurança no terreno desde Maio.


O Talibã denunciou os últimos ataques aéreos dos EUA como uma violação do acordo do grupo, em Fevereiro de 2020, com Washington, que abriu o caminho para a retirada das forças estrangeiras, após quase 20 anos de guerra no Afeganistão.


“É uma violação clara do acordo assinado que terá consequências”, alertou o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, em comunicado.


As autoridades americanas descreveram as ofensivas do Talibã como uma violação do acordo do grupo islâmico para apoiar uma resolução do conflito negociada pacificamente, conforme descrito no mesmo acordo de Fevereiro de 2020.

 

VOA

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