Antiga assessora da Casa Branca relata fúria e raiva de Donald Trump a 6 de Janeiro

A antiga assessora do Chefe de Gabinete da Casa Branca durante a Administração Trump, Cassidy Hutchinson, confirmou à comissão que investiga o assalto ao Capitólio a 6 de Janeiro de 2021, nesta terça-feira, 28, que o então Presidente ficou muito irritado e volátil com sua derrota na eleição de 2020.

Cassidy Hutchinson disse que o Presidente Trump concordou com os manifestantes quando estes pediram que o vice-Presidente Mike Pence fosse enforcado, por se recusar a bloquear a confirmação da vitória de Joe Biden.

Hutchinson disse que, enquanto alguns dos milhares de apoiantes de Trump no Capitólio gritavam “Enforque Mike Pence!”, Trump disse ao seu chefe, Mark Meadows, “Mike merece”.

Ela revelou que o Chefe de Gabinete garantiu-lhe que Trump “não achava que (os manifestantes anti-Pence estavam) a fazer nada de errado”.

Luta com segurança

Cassidy Hutchinson, que trabalhava numa sala a poucos passos do Salão Oval, onde se encontrava o Presidente, disse que, horas antes da invasão, a Casa Branca e o próprio Donald Trump já sabiam disso e que, mesmo assim, o Presidente pediu para o Serviço Secreto retirar os detectores de metais da entrada do comício que ele fez perto da Casa Branca.

“Não me importa que estejam armados. Eles não estão aqui para me ferir”, teria dito Trump.

Ela conta ter ouvido de Anthony Ornato, um assessor de Meadows, responsável por coordenar a campanha de Trump, que depois do comício perto da Casa Branca antes do caos no Capitólio, o então Presidente tentou pegar o volante limusine, conhecida por “Beast”, de um agente do Serviço Secreto e exigiu ir ao Capitólio para se juntar aos seus apoiantes.

Trump havia dito a milhares de apoiantes no comício que se juntaria a eles na caminhada até o Capitólio, mas os seguranças determinaram que era muito perigoso e, em vez disso, o levaram de volta à Casa Branca.

Hutchinson acrescentou que Ornato lhe disse que, uma vez na limusine, Trump estava “com a impressão… de que que eles estavam a levá-lo ao Capitólio” e ficou “muito, muito zangado” quando percebeu que não.

“Eu sou o Presidente f.. (palavrão em inglês), me leve ao Capitólio”, exigiu Trump, de acordo com o relato de Ornato.

A antiga assessora revelou ainda que Ornato contou que Trump agarrou o volante, mas foi empurrado pelo seu chefe de segurança, Bobby Engel.

“Senhor, você precisa tirar a mão do volante, vamos voltar para a Ala Oeste, não vamos para o Capitólio”, disse Hutchinson, acrescentando; “Senhor Trump, então usou a outra mão para avançar em direcção a Engel”.

Entre outras revelações, Cassidy Hutchinson contou que Trump ficou furioso quando soube do comentário do então procurador geral, William Barr, a um repórter da AP que indicou não haver nenhuma prova de fraude.

Ela disse que soube desse ataque de raiva quando encontrou um empregado da Casa Branca a limpar a sala de jantar privada de Trump ao lado do Salão Oval.

Trump, disse ela, atirou o almoço contra uma parede, quebrando um prato e deixando a parede suja de ketchup.

Pedido de perdão

Noutra revelação, a antiga assessora confirmou que tanto o Chefe de Gabinete, Mark Meadows, como o advogado de Trump, Rudy Giuliani, pediram o perdão presidencial pelos seus actos na tentativa de o manter no poder.

No entanto, embora tenha perdoado outros assessores por seus possíveis crimes antes de deixar o cargo, ele não aceitou os pedidos de Meadows ou Giuliani, nem de meia dúzia de congressistas republicanos que Hutchinson diz ter pedido indultos.

O testemunho surpresa de Hutchinson aconteceu na sexta audiência do comité da Câmara dos Representantes neste mês, e há mais duas marcadas para meados de Julho.

Uma dessas audiências deve detalhar o envolvimento de extremistas de direita na insurreição no Capitólio e a outra para explorar o que Donald Trump fazia na Casa Branca enquanto assistia ao tumulto pela televisão durante mais de três horas, ignorando todos os pedidos para parar o assalto ao Congresso.

Trump reage

O depoimento de Hutchinson é uma peça fundamental que até agora a comissão de investigação não dispunha: uma descrição em primeira pessoa sobre como o dia de 6 janeiro se desenrolou dentro da Casa Branca.

Em resposta ao depoimento de Hutchinson, o antigo Presidente tentou desqualificar a antiga assessora através de um post em suas redes sociais.

“Eu mal sei quem é essa pessoa, Cassidy Hutchinson, exceto que ouvi coisas muito negativas sobre ela (totalmente falsa e ‘vazadora’), e quando ela pediu para ir com alguns outros da equipa para a Flórida depois de eu ter servido um mandato completo, eu pessoalmente recusei seu pedido. Por que ela queria ir connosco se ela achava que éramos tão terríveis? Eu entendo que ela estava muito chateada e irritada por eu não querer que ela fosse da equipa”, escreveu Trump.

No comício antes da insurreição no Capitólio, Trump exortou seus apoiantes a “lutarem como o inferno” para bloquear a aprovação do Congresso da vitória de Biden.

Cerca de dois mil apoiantes de Trump invadiram o Capitólio, atacaram polícias, saquearam escritórios do Congresso e vandalizaram o prédio. Mais de 800 foram posteriormente acusados de crimes e mais de 300 se declararam culpados ou foram condenados em julgamentos.

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