Estados Unidos: Sem mencionar Taiwan, Pelosi confirma visita à Ásia

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, confirmou neste domingo (31) que lidera uma delegação do Congresso para a Ásia, mas não mencionou se desafiará a China fazendo uma escala em Taiwan.

Por via de um comunicado, Pelosi disse que lidera um grupo de cinco outros legisladores do Partido Democrata para a Ásia “para reafirmar o forte e inabalável compromisso dos Estados Unidos com os nossos aliados e amigos na região”.

A viagem incluirá escalas em Singapura, Malásia, Coreia do Sul e Japão, lê-se no comunicado.

O grupo já parou no Havaí, onde recebeu um briefing do Comando Indo-Pacífico dos militares dos EUA, acrescentou.

A imprensa americana, escreveu, na  sexta-feira, que Pelosi tinha planos de parar em Taiwan. A própria Pelosi falou indiretamente sobre essa possibilidade, embora o seu escritório não tenha confirmado, citando protocolos de segurança.

Tal seria a visita de mais alto nível dos EUA a Taiwan desde 1997, quando o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich liderou uma delegação do Congresso.

A China alertou repetidamente que a viagem de Pelosi seria uma violação inaceitável do que considera sua soberania sobre a ilha autogovernada.

Taiwan e China se separaram em 1949, após uma guerra civil, com as forças nacionalistas derrotadas fugindo para Taiwan e estabelecendo um governo que mais tarde se transformou numa democracia vibrante. Desde então, o Partido Comunista da China prometeu tomar Taiwan, usando a força se necessário, mesmo que a ilha nunca tenha sido liderada pelo Partido Comunista.

Os líderes chineses se opõem fortemente às demonstrações de apoio dos EUA ao governo de Taiwan, que consideram ilegítimas.

Num telefonema, na quinta-feira, com o presidente dos EUA, Joe Biden, o presidente chinês Xi Jinping emitiu um alerta contundente sobre Taiwan, dizendo que “aqueles que brincam com fogo perecerão por ele”, de acordo com um texto do governo chinês.

O Ministério das Relações Exteriores da China também prometeu que Pequim “agiria fortemente” e “tomaria contramedidas” em resposta a uma visita de Pelosi.

Autoridades da Casa Branca disseram, na sexta-feira, que não viram evidências de que os militares da China estivessem a preparar uma acção importante contra Taiwan.

A China anunciou no sábado que estava a realizar exercícios militares de “fogo vivo” na sua costa, enfrentando Taiwan.

Apoio bipartidário

Os treinos, que foram programados para durar das 8:00 às 21:00 horas, tiveram lugar perto das ilhas Pingtan, na província de Fujian, de acordo com a agência de notícias oficial da China, Xinhua. O artigo não especificou que tipo de armas foram usadas nos exercícios.

No domingo, um porta-voz da Força Aérea da China disse que Pequim tem “vontade firme” e “capacidade suficiente para defender a soberania nacional e a integridade territorial”.

O porta-voz, que foi citado na imprensa estatal, também disse que a China tem vários caças que podem circundar “a preciosa ilha da nossa pátria”.

Nos últimos anos, a China colocou um número crescente de aviões de guerra na  autodeclarada zona de identificação de defesa aérea de Taiwan, elevando as tensões no Estreito de Taiwan.

Nas últimas semanas, editoriais da imprensa estatal chinesa alertaram que caças chineses poderiam seguir e interceptar o avião de Pelosi.

Hu Xijin, um comentarista ferozmente nacionalista do Global Times do Partido Comunista, chegou a sugerir num tweet que os militares chineses têm o direito de “dissipar à força” qualquer aeronave dos EUA que viaje ou escolte Pelosi a Taiwan. “Se ineficaz, derrube-os”, disse Hu no tweet, que mais tarde foi removido, porque violava as normas do Twitter.

Apesar das advertências da China, um grande coro bipartidário de legisladores pediu a Pelosi que não recuasse, dizendo que a China não deveria ter a permissão de ditar onde as autoridades dos EUA visitam.

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