Governo israelita declara Lula da Silva “persona non grata”

O Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado persona non grata pelo Governo de Israel, dois dias depois de ter acusado Telavive de promover um genocídio em Gaza, comparado ao Holocausto cometido pelos nazis contra os judeus.

“Não perdoaremos, nem esqueceremos, em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, declarei o Presidente Lula persona non grata em Israel até que ele se desculpe e reconsidere as suas palavras”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel no X (ex-Twitter).

Israel Katz acrescentou que “a comparação do Presidente do Brasil, @LulaOficial, entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazis, que exterminaram seis milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória dos que foram mortos no Holocausto”.

O chefe da diplomacia israelita anunciou ainda ter convocado o embaixador do Brasil em Telavive para Yad Vashem, local simbólico que guarda a memória da ação dos nazis alemães contra o povo judeu.

O termo persona non grata, que do latim quer significar “pessoa não bem-vinda, é um instrumento jurídico, descrito no artigo 9 da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas e utilizado nas relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo.

As declarações de Lula da Silva

Em Addis Abeba, na Etiópia, à margem da Cimeira da União Africana em que participou, o Presidente brasileiro classificou de “genocídio” e “chacina” a resposta de Israel na Faixa de Gaza aos ataques terroristas promovidos pelo Hamas no início de outubro.

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula da Silva, quando questionado sobre a decisão de alguns países de suspender repasses financeiros à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos.

“Antissemita virulento”, diz Netanyahu

Após a declaração de Lula da Silva, o primeiro-ministro israelita disse que os comentários do Presidente brasileiro”banalizaram o Holocausto” e “ultrapassaram a linha vermelha”.

Benjamin Netanyahu também acusou Lula da Silva de ser um “antissemita virulento”.

Ainda em Addis Abeba, o Chefe de Estado brasileiro disse condenar os “atentados terroristas” do Hamas a 7 de outubro de 2023.

Em janeiro, durante uma reunião com o embaixador palestiniano, Lula da Silva condenou o ataque do Hamas em 7 de outubro, que classificou de ato terrorista, mas disse que não havia justificação para o assassínio indiscriminado de civis palestinianos e pediu um cessar-fogo.

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