Relatório da ONU confirma estupros e abusos sexuais contra mulheres por parte do Hamas no dia 7 de outubro

Governo de Israel acusa secretário-geral da ONU de tentar silenciar o relatório, mas António Guterres refuta críticas.

Uma missão da ONU que visitou Israel para investigar relatos de que o Hamas estuprou e abusou sexualmente de mulheres durante os ataques terroristas de 7 de outubro confirmou nesta segunda-feira, 4, ter recebido “informações claras e convincentes” a confirmarem essas denúncias e admitiu que essas violações podem estar a acontecer no cativeiro.

“Encontramos informações claras e convincentes de que a violência sexual, incluindo violação, tortura sexual, tratamento cruel, desumano e degradante, foi cometida contra cativos”, disse aos jornalistas Pramila Patten, representante especial do secretário-geral para a violência sexual em conflitos.

Ela acrescentou que “também temos motivos razoáveis para acreditar que tal violência pode estar em curso contra aqueles que estão mantidos em cativeiro”

O relatório foi produzido pela equipa de Pramila Patten, que visitou Israel e a Cisjordânia entre 29 de janeiro e 14 de fevereiro, com a missão de reunir, analisar e verificar informações sobre violência sexual relacionada aos ataques de 7 de outubro.

A equipa encontrou-se com uma série de funcionários dos ministérios israelitas, do Centro Nacional de Medicina Forense e de uma base militar e visitaram quatro locais onde foi denunciada violência sexual no dia 7 de Outubro.

Além disso, os especialistas analisaram mais de 5.000 imagens fotográficas e cerca de 50 horas de filmagens dos ataques, muitas delas provenientes de câmaras GoPro de membros do Hamas.

No entanto, Patten disse que não se encontraram com nenhum dos sobreviventes da violência sexual, apesar dos seus esforços nesse sentido.

“Logo no primeiro dia, pedi aos sobreviventes que se apresentassem, mas recebemos informações de que alguns deles estavam a receber tratamento de trauma muito especializado e não estavam preparados para se apresentar”, disse a enviada de António Guterres, que agradeceu a total cooperação do Governo de Israel que disponibilizou informações apresentadas a eles “autênticas e não manipuladas”.

Informações ‘autênticas’

A equipa da ONU disse que não conseguiu verificar alguns relatos de violação e abuso sexual, incluindo um caso amplamente divulgado de uma mulher grávida que vivia no Kibutz Be’eri, cujo útero foi alegadamente rasgado e o seu feto esfaqueado antes de ambos morrerem.

Na base militar de Nahal Oz, os especialistas afirmaram que não conseguiram verificar um caso de violação, nem encontraram um padrão claro de mutilação genital em soldados do sexo feminino ou masculino, embora a análise forense tenha revelado lesões em múltiplas partes do corpo.

Israel imediatamente questionou o relatório, com o ministro das Relações Exteriores, Israel Katz, a informar na plataforma de mídia social X que chamou de volta seu embaixador da ONU em Israel para consultas.

Israel acusa secretário-geral que refuta as críticas

Ele acusou as Nações Unidas de tentar “silenciar” o relatório de Patten e chegou a critica o secretário-geral da ONU, António Guterres, por não ordenar ao Conselho de Segurança da ONU que se reunisse e declarasse o Hamas uma organização terrorista reconhecida mundialmente.

Na manhã de segunda-feira, o embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, também atacou Guterres e a ONU.

“Se o silêncio ensurdecedor da ONU continuar, apesar das conclusões do relatório, este será definitivamente o último prego no caixão da ONU. Perderá qualquer legitimidade remanescente”, disse ele.

O porta-voz de Guterres respondeu afirmando que o secretário-geral apoiou totalmente o trabalho de Patten.

“O trabalho foi feito de forma minuciosa e ágil. De forma alguma o secretário-geral fez alguma coisa para manter o relatório ‘silencioso'”, disse Stephane Dujarric, apontando para a apresentação pública do relatório.

Um grupo que representa as famílias dos 134 reféns ainda detidos pelo Hamas e grupos afiliados afirmou, a respeito do relatório da ONU, que o povo de Israel não perdoará o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o seu gabinete “se não conseguirem pôr fim aos atos horríveis que os os reféns já resistiram por 150 dias”.

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