Parlamento: Líder do PAICV denuncia “cultura de intransparência” e “descalabro em privatizações” em Cabo Verde

O deputado do PAICV (oposição), Rui Semedo, disse hoje, no parlamento, que a crise de governação é também verificada por uma “compulsiva cultura de intransparência”, que é a “imagem de marca” deste Governo.

Durante uma declaração política Rui Semedo disse que o Governo, “de forma irresponsável, conduz os negócios públicos, sem concurso, sem respeito pelo sacrifício de Cabo Verde e dos cabo-verdianos e sem acautelar os interesses nacionais.”

Semedo trouxe ao foco questões como as recentes privatizações e concessões, particularmente dos TACV e dos transportes marítimos, as quais, segundo ele, estão “manchadas por descalabros e vergonhas”.

“O descalabro que foi a privatização dos TACV e a vergonha que representa a concessão dos transportes marítimos não serviram de lição para uma concessão mais ajuizada da gestão dos aeroportos e aeródromos,” expressou.

O líder do PAICV prosseguiu expondo cumplicidades e mesclas perigosas entre interesses públicos e privados, utilizando um adágio do crioulo de Santiago para ilustrar a situação: “Fulia ku um mó y puluta ku kel otu mó” (lançar com uma mão e pultar com a outra, em português).

Ainda nas suas declarações, o deputado revelou preocupações com inspeções de fundos e com as recentes polémicas envolvendo a Ficase, bem como outros fundos de turismo e ambiente, acusando o Governo de tentar ocultar relatórios de inspeção.

“Ainda nem se tomaram medidas com as inspeções dos fundos de turismo e do ambiente, surgem novos escândalos com os fundos da Ficase e todos eles envoltos em escândalos de tentativa do Governo em esconder os relatórios das inspeções,” exclamou Semedo.

Ressaltando a falta de transparência nas várias esferas da governação, o deputado denunciou a crise observada também pela dissipação dos recursos públicos, e em especial os do INPS, ponderando sobre os perigos à sustentabilidade do sistema de previdência social.

“A crise de governação pode ser verificada também pela dilapidação dos recursos públicos, designadamente os recursos do INPS, colocando em perigo a sustentabilidade do sistema de previdência social,” alertou.

O tom das críticas se acentuou ao tocar no recente aumento de 18% nos vencimentos do governador e dos administradores do Banco de Cabo Verde, que o deputado atribui a uma tentativa de “arrumar a casa” para seus titulares antes de uma possível despedida.

Semedo questionou, “Onde está a justiça, onde está a solidariedade, onde está a preocupação para com os que ganham menos e passam maiores dificuldades?”

Concluindo a sua declaração, Rui Semedo reforçou a “necessidade urgente” de um Governo “mais humano” e “mais sensível” aos problemas da população cabo-verdiana, um Governo que de facto responda aos problemas das pessoas.

“Por tudo isso, vê-se que precisamos de um governo mais humano, mais sensível aos problemas do povo, que sirva, realmente, o país e que governe para dar respostas aos problemas das pessoas,” finalizou.

Inforpress

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