Parlamento: MpD diz que PAICV não acredita no sector privado porque este não é controlado pelo Estado

O líder da bancada parlamentar do Movimento para Democracia (MpD-poder), Paulo Veiga, disse hoje no parlamento que o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) não acredita no sector privado porque este não é controlado pelo Estado.

Paulo Veiga, que começou o seu discurso no arranque do debate parlamentar, nesta primeira Sessão Plenária de Dezembro, com o primeiro-ministro, sobre o sector privado, parafraseando Ulisses Correia Silva com a afirmação de que “é preciso ter em conta que o Sector Privado em Cabo Verde é o principal investidor e o principal empregador”.

“Começo o meu discurso com esta oportuna citação porque a intervenção inicial da bancada parlamentar do PAICV não me deixou muito optimista quanto à sua verdadeira intenção de participar neste debate com seriedade, com propostas concretas e realistas e, sobretudo, com o intuito de ajudar a aperfeiçoar o contributo do sector privado no desenvolvimento do nosso país, tema que reputamos de suma importância para a nação cabo-verdiana”, justificou.

Paulo Veiga prosseguiu afirmando que não se trata de ingenuidade política ou distração, mas que, de facto, o PAICV não mudou e que continua “fiel aos seus pruridos ideológicos”, pelo que pode até afirmar que, “o PAICV não acredita no sector privado porque este não é controlado pelo Estado”.

“O caminho, minhas senhoras e meus senhores, é acreditar e participar nas reformas que este governo pretende e está a fazer em prol do papel crucial do sector privado na economia e, particularmente, no desenvolvimento económico do nosso país”, sugeriu.

O líder parlamentar do MpD ressaltou ainda que no presente debate, o que difere os partidos “é muito pouco”, mas que não os objectivos em si, mas, sim, a própria relação de cada força partidária com o sector privado.

“Uns imbuídos de uma carga ideológica de pendor mais paternalista e assistencialista defendem soluções imediatistas e eleitoralistas e, outros, inspirados por um espírito desenvolvimentista e com base no mais absoluto respeito pela dignidade humana, preferem trazer ao parlamento e à sociedade as soluções que acreditam ser as mais inovadoras e geradoras de bem-estar e da plena felicidade”, disse.

Paulo Veiga acrescentou, entretanto, que se for olhar além dos “fantasmas ideológicos, da quimera da corrupção e das suspeições infundadas e nunca denunciadas em instâncias próprias”, todos perceberão que o sector privado é um parceiro-chave no desenvolvimento porque criar emprego, fornece bens e serviços, gera rendimentos e lucros e contribui para as receitas públicas.

“E, por entender que o sector privado, um dos principais motores da inovação e do progresso tecnológico, cria riqueza para todos, este governo e a maioria que o suporta, não só reconhecem o papel central do sector privado como se têm empenhado em promover políticas de melhoria do ambiente de negócios e de reforço das contribuições positivas que o sector privado pode dar no desenvolvimento sustentável”, afirmou.

E, por isso, disse Paulo Veiga, o Governo, num ambiente em que o total da Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) tem diminuído de forma drástica, o que reforça ainda mais o papel central do investimento privado, continuará na senda das reformas estruturais para transformar Cabo Verde num país desenvolvido e resistiremos a todas as tentações de ganhar mais alguns votos por via de derivas populistas, mas absolutamente falaciosas.

“O Estado tem desempenhado com muita perspicácia um papel fundamental, não só a nível da regulação, mas também, ao nível da proatividade do fomento empresarial”, continuou.

Paulo Veiga frisou ainda que todo um ambiente favorável de negócios, de políticas fiscais e de políticas financeiras tem sido criado no sentido de termos condições favoráveis ao investimento, quer do sector privado nacional, quer a atracção e fixação de investimentos directos estrangeiros.

Inforpress

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