Patrick Santos, médico cabo-verdiano a residir em Espanha: “Uma crise mundial deve trazer aprendizagens”

Dando seguimento a uma série de depoimentos de profissionais de saúde cabo-verdianos que trabalham no combate à covid-19, trazemos o depoimento de Patrick Santos, médico cabo-verdiano que reside em Espanha, que está a trabalhar na linha da frente ao combate à pandemia da Covid-19 na cidade de Ibiza, nas Ilhas Baleares, no leste de Espanha.
Patrick Santos está a terminar a especialidade em medicina Interna, uma área que se revelou ser uma mais-valia importante no combate à pandemia, segundo explica no seu depoimento.
 
O médico cabo-verdiano esclarece que em Espanha houve (até agora) três vagas de Covid-19, sendo que a primeira, em março, foi um momento de muitas incertezas e ansiedade, por ser algo novo para todos.
 
“No início, não tínhamos todos os materiais que precisávamos e tivemos de inventar formas de proteção adequada, quer para nós quer para os pacientes”, recorda.
 
Já na segunda vaga, Patrick Santos encontrava-se a fazer uma formação sobre doenças infeciosas em Madrid, capital espanhola, que lhe permitiu adquirir uma experiência relevante no combate ao vírus.
 
“A terceira onda foi a pior, logo depois do Natal, e aconteceu em consequência das reuniões familiares, que apesar das medidas adoptadas, estas deveriam ter sido ainda mais restritas (…) Os nossos hospitais estiveram à beira do colapso”.
 
Na sequência da situação caótica todos os especialistas, de todas as áreas, foram chamados a intervir para um trabalho de equipa que permitiu dar resposta ao que estava a acontecer, recorda o cabo-verdiano.
 
O especialista que esteve infetado com o novo coronavírus e, entretanto, após terem passado alguns meses, foi vacinado, acredita que atualmente, a situação em Espanha está significativamente melhor e mais controlada, principalmente com o avançar da vacinação.
 
Quanto à situação em Cabo Verde, que tem acompanhado regularmente pelas notícias, o médico acredita que se, inicialmente o combate e as medidas adotadas foram bastante adequadas, atualmente há alguma irresponsabilidade e relaxamento por parte da população e das autoridades.

“Tenho esperança de que as coisas melhorem e a situação fique novamente sob controlo”.
 
Mostra-se optimista quanto ao futuro e defende que com uma cooperação mútua entre os cidadãos e os países, bem com amor ao próximo “será possível criar um mundo melhor”.
 

“Uma crise mundial deve trazer aprendizagens. Temos de aprender sobre onde estávamos e porquê, onde estamos hoje e que temos de criar um mundo sustentável, tratar o nosso planeta da melhor forma e que tudo irá melhorar se soubermos cooperar entre nós”.

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