Pescadores da Brava capacitados em técnicas de captura e navegação no alto mar

Um grupo de 25 pescadores terminou ontem, dia 18, na ilha Brava, uma formação em técnicas de captura e navegação em alto mar, que lhes vai permitir melhorar o seu dia-a-dia a nível profissional.

No ato de encerramento realizado na localidade de Furna, Dheeraj Jayant, director da associação Biflores, fez uma avaliação positiva destas quatro semanas intensivas de uma formação que beneficiou pescadores das três zonas piscatórias da Brava, Furna, Fajã d´Água e Lomba Tantum, e alguns que vieram de outras ilhas.

Esta formação, que foi realizada pela associação Biflores, financiada pelo GEF Small Grants Programme e a Embaixada dos Estados Unidos da América teve como objetivo, conforme o responsável da associação ambiental, capacitar os homens do mar e dotá-los de mais conhecimentos para lutarem no dia-a-dia e, quem sabe, enveredar por outras águas, tendo em conta que a formação é certificada pela Organização Marítima Internacional (IMO) o que lhes dá a chance de navegar em outras águas fora do País ou mesmo trabalhar em barcos de pesca internacional.

A formação é também mais uma componente de capacitação para os pescadores que estão a trabalhar no projeto Guardiões do Mar implementado pela Biflores, em parceria com a Fundação Maio Biodiversidade.

Dos formandos, João Cardoso, um pescador da localidade de Furna contou que com 40 anos a navegar no mar, nesta formação aprendeu coisas inimagináveis, pois, conforme realçou, sempre navegou com o conhecimento intuitivo, mas com esta formação passou a ter um nível de conhecimento muito maior, aconselhando os jovens a fazerem esta formação porque ele só a fez agora porque só agora chegou esta oportunidade.

Igualmente, Jorge Andrade um homem do mar que dedica a pesca e muitas vezes tem percorrido o canal Brava – Fogo para transferência de doentes, também fez uma avaliação positiva da formação, realçando que lhes dotou de mais conhecimentos, o que vai permitir-lhes navegar mais e melhor, além de atuar em outras formas para garantir a segurança pessoal, dos companheiros e dos doentes em alguns casos.

Nesta senda, aproveitou para agradecer à associação Biflores por esta oportunidade, pois, segundo o mesmo é uma formação de “extrema importância”, mas que na Brava ainda não tinham tido esta oportunidade.

Por seu turno, o formador, capitão João Emanuel Brazão, avaliou positivamente os formandos, enfatizando que no início teve um pouco de dificuldade para enquadrá-los, tendo em conta que sempre se acostumaram com os conhecimentos empíricos, mas ao longo das semanas de formação foram desenvolvendo as técnicas que demonstraram nas aulas práticas feitas no mar e agora, acredita que já se encontram capacitados para uma “boa prestação” no sector marinho.

Este curso, de 103 horas, explicou, “vai servir para a melhoria do dia a dia desses pescadores porque obtiveram conhecimentos para levá-los a efetuar uma boa expedição com segurança e salvaguardando a vida humana no mar e a proteção do meio ambiente”.

O presidente da Câmara Municipal da Brava, Francisco Tavares, louvou e agradeceu a iniciativa da associação Biflores, dos parceiros financiadores e o formador, pois esta é uma mais-valia para os pescadores da Brava, tendo em conta que a pesca possui muito valor para a economia da ilha e muitas famílias dependem deste sector.

Sendo assim, considerou que esta formação capacitou estes pescadores e dotou-lhes de ferramentas que garantem mais segurança no alto mar e conhecimentos de leis acerca da navegação e da pesca, onde a economia sai a ganhar.

A Biflores é uma associação de conservação da biodiversidade, sediada na ilha Brava, e tem como finalidade a protecção e conservação dos ecossistemas marinhos e terrestres, da sua biodiversidade e dos recursos naturais, bem como fomentar o envolvimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade na ilha.

MC/HF
Inforpress/Fim

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