PM britânico e PR ruandês defendem acordo de deportação de imigrantes ilegais

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e o Presidente ruandês, Paul Kagame, dizem que o acordo de deportação de imigrantes ilegais do Reino Unido para o Ruanda combate “os perigosos bandos de contrabando”.

Boris Johnson chegou esta quinta-feira (23.06) de manhã a Kigali, onde deverá participar na reunião de chefes de Governo da Commonwealth (CHOGM) na sexta-feira e no sábado, tendo sido recebido pelo Presidente Kagame no complexo presidencial de Urugwiro.

Segundo um comunicado de Downing Street, no encontro os dois líderes “saudaram a Parceria Reino Unido/Ruanda sobre Migração e Desenvolvimento Económico, que combate os perigosos bandos de contrabando, oferecendo simultaneamente uma oportunidade de construir uma nova vida num país seguro”.

Durante a sua reunião, Boris Johnson saudou a “posição moral” do Ruanda sobre a guerra na Ucrânia, referindo ainda o gabinete do primeiro-ministro britânico, acrescentando que os dois líderes discutiram formas de lidar com as consequências da invasão russa, incluindo a subida acentuada dos preços dos alimentos que está a atingir os países africanos de forma particularmente dura.

Por outro lado, o chefe do Governo de Londres felicitou o líder ruandês pelo “extraordinário” desenvolvimento económico e social “em apenas algumas décadas”.

A Presidência ruandesa afirmou, numa breve mensagem no Twitter, que “os dois líderes realizaram conversações sobre as parcerias existentes entre o Ruanda e o Reino Unido, incluindo a recente Parceria para a Migração e o Desenvolvimento Económico”.

Acordo polémico

Na quarta-feira, Paul Kagame reuniu-se com o príncipe Carlos, que, segundo a imprensa britânica, expressou repetidamente, em privado, o desacordo com o esquema de deportação, que classificou como “aterrorizante” e que teme que ofusque a reunião da Commonwealth, em que representa a mãe, a rainha Isabel II.

O plano de Londres de enviar para o Ruanda os requerentes de asilo que chegaram ilegalmente ao Reino Unido, a mais de 6.000 quilómetros das suas fronteiras, a troco de apoio financeiro àquele país africano, foi condenado por numerosas organizações de defesa dos direitos humanos, pela ONU e pela Igreja Anglicana, que o classificou de “imoral”.

O primeiro avião que levaria deportados para Kigali foi bloqueado no último minuto do dia 14 de junho por uma decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH).

Esta quarta-feira, o Governo britânico apresentou ao Parlamento um projeto de lei para anular a decisão do tribunal europeu.

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