PM expectante com aprovação do índice para verificação das condições de vulnerabilidade dos SIDS

O primeiro-ministro mostrou-se ontem, dia 27, em Lisboa, expectante com a aprovação do índice multidimensional da validação, verificação das condições de vulnerabilidade dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, já que alguns indicadores tradicionais têm penalizado os SIDS.

Ulisses Correia e Silva manifestou essa expectativa à imprensa cabo-verdiana, no final dos encontros que manteve com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e com o presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid, separadamente, à margem da segunda Conferência dos Oceanos que acontece de hoje até 01 de Julho, em Lisboa, organizada por Portugal, em conjunto com o Quénia.

“Há um trabalho em curso, uma iniciativa do secretário-geral das Nações Unidas, muito meritório, que é a criação de um índice multidimensional de validação, verificação das condições de vulnerabilidade dos Estados Insulares. Isto vai permitir que, para além dos indicadores tradicionais que, em certos casos, penalizam os Pequenos Estados Insulares possam ser considerados a sua vulnerabilidade”, considerou.

Essa vulnerabilidade tem a ver com a área económica, ambiental e climática, e como fazer com que os financiamentos de recursos para o desenvolvimento, mas também o acesso aos recursos para situações de respostas emergenciais possa ser considerado tendo em conta o reconhecimento das especificidades.

“Creio que vai ser um grande momento quando esse índice for aprovado”, frisou Ulisses Correia e Silva, ressaltando que nos encontros com o secretário-geral das Nações Unidas e com o presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, teve a oportunidade de enaltecer e reconhecer todo o trabalho realizado em prol da afirmação dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).

Segundo ele, o trabalho que as Nações Unidas têm estado a fazer em “contextos muito difíceis” para a salvaguarda da necessidade de uma proteção “cada vez maior” dos oceanos, onde se verificam “ameaças evidentes” relativamente ao aquecimento do planeta, a elevação do nível do mar, problemas do equilíbrio dos ecossistemas que em Cabo Verde são sentidos muito através da seca.

Entretanto, o primeiro-ministro alertou que nos outros países há perigos, como furacões, ciclones e ilhas que podem desaparecer pelo aumento do nível do mar por isso, essa iniciativa prevê que em 2030 possa ser concluída com uma Declaração Universal dos Direitos dos Oceanos, com normas vinculativas de proteção e conservação.

Em relação ao encontro com a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir, o chefe do Governo disse que a conversa que tiveram tem a ver com a criação de condições de uma “forte parceria” com Cabo Verde no domínio da economia azul, tendo em conta que a Islândia cooperou com o arquipélago desde a década de 1980 e 1990.

“Vamos ter que retomar essa dinâmica a nível da investigação e desenvolvimento, a nível académico, através do Campus do Mar da Universidade Técnica do Atlântico e instituições islandesas que têm uma grande experiência, porque também são ilhas, diferentes de Cabo Verde, mas com os mesmos desafios relativamente à sustentabilidade dos oceanos na investigação e aproveitamento da melhor forma possível dos recursos que existem”, reconheceu.

Quanto à segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, Ulisses Correia e Silva espera que no final saia um “forte compromisso internacional, porque não é possível resolver os problemas dos oceanos se todos os países não estiverem engajados”, nomeadamente na questão da poluição, porque os países que mais poluem não são os Pequenos Estados Insulares, mas sim os países económica e industrialmente mais avançados.

Tem a ver também com as questões da alteração climática, portanto, esse engajamento global é fundamental, porque depois acabará por beneficiar países como Cabo Verde, com reconhecimento das suas especificidades e vulnerabilidades e exposições a choques externos e instrumentos para podermos fazer face a esses choques e podermos ter instrumentos adicionais de apoio ao desenvolvimento”, sublinhou.

A segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que conta com a participação de 7.000 pessoas, entre elas representantes de 140 países, alguns ao mais alto nível, reúne durante os cinco dias, políticos, entre os quais 25 chefes de Estado e de governo e uma centena de ministros, pelo menos 38 agências especializadas e organizações internacionais, quase 1.200 organizações não-governamentais e outras entidades, mais de 400 empresas e centena e meia de universidades.

O tema geral “Reforçar a acção oceânica com base na ciência e na inovação, para a implementação do ODS 14 – Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”.

Inforpress

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