PM na abertura da FIC: “Reformas vão ser aceleradas, com especial incidência nos transportes aéreos e marítimos”

O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva anunciou hoje, na abertura da 24ª edição da Feira Internacional de Cabo Verde, FIC, que várias reformas vão ser aceleradas a nível nacional, nomeadamente a nível dos transportes aéreos e marítimos, mas também prometeu uma revisão do Código Laboral, bem como o reforço de linhas de crédito, entre outras medidas que visam recuperar a atividade económica do país.

Ulisses Correia e Silva começou por saudar o regresso da FIC que esteve parada devido à pandemia da covid-19, sendo que para o chefe do Governo este regresso “representa uma clara demonstração de confiança em Cabo Verde e na sua economia” apesar da situação atual.

“O sucesso e a gestão da pandemia e os níveis de vacinação alcançados permitem-nos estar aqui hoje”, salientou.

Depois de recordar todos os investimentos que foram feitos para evitar “o colapso do sistema de saúde, o colapso económico e social”, Ulisses Correia e Silva salientou ainda que “o país sofreu a maior contração económica de sempre”.

Situação, que segundo o PM, é agravada agora pela atual crise energética mundial e que já está a ter impacto na economia nacional.

Entretanto, para o chefe do Governo já são visíveis alguns sinais de retoma económica, nomeadamente a nível do turismo e com a reabertura de hotéis nas ilhas da Boa Vista e do Sal, por exemplo.

Retoma esta que, segundo o PM, se faz “num “clima de incertezas e de fortes restrições nas finanças públicas”. Explicou que apesar das estimativas de crescimento de 6,5% a 7,5% para 2021 e de 6% para o próximo ano, estas previsões de crescimento “ficam aquém” da recuperação da quebra de crescimento de 15% em 2020.

Tendo em conta o aumento da dívida pública “devido à forte contração económica e aos custos extraordinários impostos pela pandemia”, o PM salientou que “a retoma económica vai ter de ser feita acompanhada da retoma do percurso da consolidação orçamental”. “Diminuição do défice orçamental já em 2022, diminuição da dívida pública e algum agravamento fiscal irá acontecer”, alertou.

Entre as medidas que visam a retoma da atividade económica está o apoio às empresas, com linhas de crédito no valor de nove milhões de contos.

Em jeito de resposta ao presidente do conselho de Administração da FIC, Jorge Spencer Lima, que elogiou as medidas adotadas pelo governo, mas lembrou que “é preciso retomar questões antigas”, nomeadamente a nível do sistema laboral, da conectividade entre as ilhas e da burocracia na administração pública, Ulisses Correia e Silva garantiu que “as reformas vão ser aceleradas, com especial incidência nos transportes aéreos e marítimos”.

“De facto, particularmente, o sector dos transportes aéreos foi e tem sido dos mais impactados. Iremos ultrapassar esta fase mais difícil e introduzir reformas mais estruturantes nesses sectores para que a conectividade e unificação do mercado nacional possam ser reforçadas. Assim como, a revisão do Código Laboral”.

O chefe do executivo garantiu que as mexidas no Código Laboral vão servir “não só para flexibilizar, mas para introduzir maiores e melhores níveis de produtividade no trabalho”. Entre outras mudanças, Ulisses Correia e Silva prometeu ainda “reformas na segurança social, na modernização e na digitalização da administração pública e na melhoria do Doing Business”.

“O país está a viver momentos difíceis, mas é transitório. A economia mundial irá recuperar e a economia cabo-verdiana também”, assegurou.

“A crise atual é real e impactante, mas é transitória. Atravessemos juntos este canal turbulento, porque melhores dias estarão para vir. Estou convencido, estou ciente, de que sinais destes, como a realização da FIC, em momentos de dificuldade criam portas para novas oportunidades”, finalizou o chefe do Executivo no discurso inaugural do evento.

A FIC 2021 acontece de 17 a 20 de outubro na cidade da Praia e de acordo com a organização, citada pela Inforpress, estão presentes no evento 125 empresas, das quais 66 por cento são cabo-verdianas e 34 % estrangeiras. A feira é aberta a público no geral, mediante pagamento de bilhete, a partir das 19h durante a semana, e a partir das 16h00 no sábado.

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