PP vai a votos pela segunda vez para tentar chegar ao parlamento

O Partido Popular (PP) é uma formação política sem representação parlamentar que nas eleições legislativas de 18 de abril tenta chegar à Assembleia Nacional, pela segunda vez, apostando no círculo da Boa Vista e combatendo “interesses ocultos”.

Legalizado em janeiro de 2015, o partido presidido por Amândio Barbosa Vicente vai concorrer a eleições legislativas em Cabo Verde com listas pelos círculos eleitorais de Santiago Norte e Santiago Sul, Boa Vista, África, América e Europa.

O líder do PP, partido assumidamente de matriz de esquerda e que tem abordado publicamente suspeitas de corrupção no poder público, aponta que “entrar no parlamento é uma meta” para o objetivo de “continuar a lutar por um Cabo Verde mais justo”.

 

A principal aposta do partido para esse objetivo será na Boa Vista, com a lista a ser liderada pelo empresário italiano Sérgio Corrá, como independente, há mais de 20 anos radicado naquela ilha e que já nas anteriores eleições autárquicas, em outubro de 2020, também na lista do PP, conseguiu ser eleito deputado municipal.

 

O partido assume que ainda “é preciso percorrer um longo caminho com vista ao empoderamento da população” nas “reivindicações de direitos” e com isso iniciar “uma verdadeira democracia participativa”, visando desde logo “a responsabilização dos gestores públicos”.

 

“Uma nova caminhada se inicia, e o Partido Popular tem abraçado o desígnio para um Cabo Verde desenvolvido e para cada um dos seus cidadãos. No entanto, verificamos que a atual situação do país não representa nem as aspirações dos libertadores da pátria, nem a vontade e o direito das pessoas que aspiram a um país verdadeiramente democrático e com igualdade de oportunidades para todos”, defende o líder do partido.

 

O dirigente afirma ainda que durante os últimos cinco anos Cabo Verde viveu os “momentos mais difíceis da sua existência, não só pela situação decorrente da natureza e calamidade, mas devido a péssimas opções de políticas públicas ao nível económico e social”, com “níveis preocupantes de mortalidade” que podem ser travados “com uma postura mais séria e determinada nos setores de saúde e prevenção, como desporto, promoção de comportamentos saudáveis e medicina preventiva” e com “fortes investimentos nas estruturas de pessoal de saúde e serviços sociais”.

 

Amândio Barbosa Vicente critica a “degradação e pauperização da sociedade cabo-verdiana e a sucessiva defraudação das expectativas” dos cidadãos, mas que “não pode ser um motivo de fatalidade e nem de baixar os braços”.

 

“É por isso, e por muito mais, que o Partido Popular está nesta luta, acreditando que a governação do país deva ser feita de forma diferente para resgatar as esperanças das pessoas e mostrar que, apesar da natureza e condições de cada um, é possível fazer mais e melhor, com homens e mulheres determinados como aqueles que levaram ao desenvolvimento de outras sociedades”, sustenta ainda.

 

Pela frente, nestas eleições legislativas, o partido tem um mapa político que, tal como nos últimos 30 anos, volta a estar bipolarizado por Movimento para a Democracia, (MpD, no poder) e Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que venceram, cada um, três eleições legislativas desde 1991.

Para o presidente do PP, não é o partido que perde com este cenário: “A bipolarização não afeta o PP, afeta o cidadão, que fica refém dos interesses dos grupos de interesses ocultos em Cabo Verde”.

 

As eleições legislativas em Cabo Verde elegem a Assembleia Nacional, composta por 72 deputados eleitos por sufrágio universal, direto, através de círculos eleitorais, em cada ilha e na diáspora. Contudo, o país está há 30 anos bipolarizado entre MpD, que tem atualmente uma maioria absoluta de 40 deputados, e o PAICV, que soma 29, além dos três eleitos da União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID).

 

Lusa

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