PR aponta progressos na luta contra o VIH/Sida mas reconhece desafios para Cabo Verde

O Presidente da República apontou hoje progressos alcançados por Cabo Verde no combate ao VIH/Sida ao longo dos anos, entretanto, reconheceu alguns desafios que o País precisa ultrapassar.

Numa mensagem alusiva ao Dia Mundial de Luta Contra a Sida, que se assinala hoje, José Maria Neves começou por expressar o seu “apoio e simpatia” para com todas as pessoas que vivem com o VIH e também manifestar solidariedade para com as famílias que, “infelizmente”, perderam seus entes queridos na batalha contra a doença.

Segundo explicou, é “com agrado” que regista os progressos alcançados por Cabo Verde, no combate à Sida, resultantes de “políticas adequadas”, que se expressam em mais diagnósticos, redução de novas infeções, segurança transfusional, redução da transmissão do VIH de mãe para filho e o acesso gratuito e universal ao tratamento, entre outros.

No entanto, assinalou, as múltiplas crises em que o mundo se vê mergulhado nestes últimos anos tiveram o seu impacto em Cabo Verde e, particularmente, nas famílias mais vulneráveis, e que albergam um “número substancial” de pessoas portadoras do VIH.

“Sabemos que neste caso a pobreza, o desemprego, a dependência económica da mulher em relação ao homem, constituem fatores de vulnerabilidade”, notou, apelando, assim, ao espírito de solidariedade e de fraternidade para com as pessoas seropositivas, especialmente nesta quadra festiva que se aproxima.

“Realço que os resultados bastante positivos por nós conseguidos, foram graças ao envolvimento de todos, como uma prioridade nacional desde 1986, quando apareceu o primeiro caso: estruturas de saúde, associações comunitárias, ONG, organizações da sociedade civil, líderes locais, educadores de pares, associações de luta contra a Sida, comunicação social e os seropositivos”, avançou.

Porém, sublinhou, um dos maiores problemas que infetados e afectados ainda enfrentam é o “estigma da marginalização e da discriminação”, tanto na família, na comunidade, no trabalho e na sociedade.

Por isso, advertiu, para “não deixar ninguém para trás” é preciso “mais inclusão e empatia”, e “desmontar mitos”, para, ao mesmo tempo, garantir que os direitos humanos estejam a ser “respeitados, protegidos e cumpridos”.

“Temos que lutar para zero novas infeções, zero mortes por Sida e também zero discriminação”, sustentou.

O chefe de Estado apelou ainda a adoção de estilos de vida saudáveis, com escolhas responsáveis nos relacionamentos sexuais, tendo sempre em conta que a prevenção ainda é o melhor remédio, e que para se evitar a propagação de infeções deve-se praticar relações sexuais seguras.

Por outro lado, acrescentou, Cabo Verde, por ser uma sociedade cuja população é maioritariamente jovem e, logo, sexualmente activa, há que apostar na mudança de comportamento da juventude.
Neste sentido, acrescentou, o elevado número de casos de gravidez na adolescência revela uma exposição ao risco de uma infeção devido a práticas sexuais desprotegidas,

“Daí que se deve adequar os currículos escolares à realidade dos nossos tempos, educando os jovens e adolescentes para uma vida sexual activa responsável”, sintetizou José Maria Neves.

Por fim, o Presidente da República exortou a todos a continuar os esforços de forma a acelerar os ganhos conseguidos e atingir as grandes metas propostas pela ONU Sida para vencer esta luta e erradicar o VIH em 2030.

Inforpress

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