PR pede “inquérito rigoroso sobre circunstâncias da evacuação e morte do adolescente” da Brava

PR pede “inquérito rigoroso sobre circunstâncias da evacuação e morte do adolescente” da Brava

O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu hoje a realização de um “inquérito rigoroso” à evacuação médica entre ilhas de um rapaz de 14 anos, que acabou por morrer, e uma auditoria ao Sistema Nacional de Saúde, face às queixas.

“As autoridades competentes devem mandar fazer um inquérito rigoroso sobre as circunstâncias da evacuação e da morte do adolescente”, refere uma mensagem do chefe de Estado publicada na sua conta oficial na rede social Facebook, na qual José Maria Neves refere ter falado hoje, ao telefone, com o pai do rapaz de 14 anos, que morreu já em São Filipe, na ilha do Fogo, em 01 de agosto.

“Faleceu após ter sido evacuado, em condições muito precárias, da ilha Brava para o Hospital Regional Francisco de Assis”, recorda o Presidente, na mesma mensagem, após várias críticas nos últimos dias, sobretudo nas redes sociais, à alegada falta de condições em que o rapaz foi transportado, num bote, para São Filipe, na vizinha ilha do Fogo.

Cabo Verde não dispõe de qualquer meio aéreo do Estado para garantir evacuações médicas, que normalmente são realizadas através das ligações aéreas e marítimas regulares, sendo que no caso da Brava, a ilha não dispõe de aeródromo.

Num comunicado emitido em 04 de agosto, a direção do Hospital Regional Francisco de Assis, em São Filipe, refere que o adolescente, que ali se encontrava de férias, deu entrada no centro de saúde da Brava em 31 de julho e que estava há cinco dias “automedicado” por dor de garganta e febre.

Família indignada

“Estou consternado, estou indignado”, afirmou a 6 de agosto em declarações à TCV, João da Cruz, pai do adolescente João Carlos Martins da Cruz, Djony, de 14 anos, e explicou que as autoridades não estão a dizer a verdade no que se refere às condições em que o filho foi evacuado bem como sobre os cuidados que foram prestados ao rapaz.

A mesma fonte explica ainda que a indignação da família prende-se com as condições deficitárias na deslocação do doente nomeadamente a falta de ambulância, a falta de assistência médica, agravadas pela avaria do barco em alto mar, tendo o jovem perdido muitas horas.

“Eles enviaram um hiace de passageiros (para ir buscar o jovem no caís) (…) o objetivo da evacuação de João Carlos era (fazer) uma transfusão sanguínea, depois de todo este processamento, toda esta morosidade para chegar lá …”, lamenta o pai e salienta que o rapaz nunca foi automedicado em casa.

Autoridades de saúde dizem que procedimentos para evacuação “aconteceram com a máxima urgência”

Num comunicado emitido em 04 de agosto, a direção do Hospital Regional Francisco de Assis, em São Filipe, refere que o adolescente, que ali se encontrava de férias, deu entrada no centro de saúde da Brava em 31 de julho e que estava há cinco dias “automedicado” por dor de garganta e febre.

“Tendo sido constatada a gravidade do quadro clínico pela equipa médica e realizados exames laboratoriais que revelaram presença de uma anemia grave, de imediato decidiu-se pela sua evacuação para o Hospital Regional São Francisco de Assis”, lê-se no comunicado, que também garante que os procedimentos para evacuação “aconteceram com a máxima urgência”.

“A Delegacia de Saúde da Brava tudo fez, com os meios que se encontravam disponíveis, para a transferência ao hospital regional com a urgência que o caso requeria, tendo sido o paciente acompanhado por um médico e um enfermeiro”, acrescenta.

O adolescente deu entrada no hospital da ilha do Fogo por volta da meia-noite do dia 01 de agosto, falecendo minutos depois, tendo análises posteriores, feitas no hospital da Praia, concluído por “um quadro de leucemia aguda, confirmando assim a hipótese diagnóstica inicial de leucemia como causa de morte”, segundo o mesmo comunicado.

Na mensagem divulgada hoje, José Maria Neves, que foi primeiro-ministro de Cabo Verde de 2001 a 2016, afirma ainda que “devem ser tomadas medidas urgentes para se criar um verdadeiro sistema de evacuação médica” no país: “De modo a serem prevenidas situações do género, desgaste do sistema de saúde e descontentamento pelo nível de atendimento e de serviços prestados nos hospitais e centros de saúde”.

Admite ainda que “já há condições técnicas e humanas no país para prestar serviços finais aos utentes de melhor qualidade”, mas que é necessária “mais sofisticação na organização dos trabalhos, muito mais eficiência na execução e mais efetividade nos resultados”.

“Deve-se auditar o atendimento em todo o sistema nacional de saúde. Tem havido muitas queixas, justas ou injustas, de pessoas que se consideram mal atendidas e/ou mal-tratadas nos serviços de saúde”, afirmou.

Para o Presidente, “é preciso tudo fazer para que as pessoas não percam confiança nas instituições do país”.

“Tenho consciência do quanto esforço tem sido feito pelo pessoal de saúde a todos os níveis e homenageio-os por isso. Todavia, os tempos são outros e as pessoas muito mais exigentes. Almejam muito mais e melhor”, concluiu José Maria Neves.

Balai c/ Lusa

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