Praia: UCID contra atribuição de 15 mil escudos a alguns ‘rabidantes’ como forma de regressarem aos mercados

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID - oposição) manifestou-se hoje contra a decisão da autarquia da Praia de atribuir 15 mil escudos durante seis meses aos ‘rabidantes’ que ocupavam os passeios, como forma de regressarem aos mercados.

Esta preocupação foi expressa em conferência de imprensa proferida pelo presidente da Comissão Política de Santiago Sul da UCID, no âmbito de um conjunto de visitas que vem efectuando ao município da Praia.

Juceliano Vieira afirmou que este partido tem estado a constatar muitos problemas a nível da câmara municipal, nomeadamente o tratamento desigual aos ‘rabidantes’ (vendedoras ambulantes), situação que diz ser do conhecimento do próprio presidente e também do gestor do Serviço Público de Abastecimento do Município da Praia (SEPAMP).

“Temos constactado que a Polícia Municipal tem estado a correr atrás dos ‘rabidantes’, a fazer pressão, e os comerciantes não têm estado a conseguir vender porque dizem que estão a ocupar passeios”, especificou, argumentando que o problema não é a questão do passeio, mas sim de oferecer-lhes melhor dignidade.

Os democratas-cristãos manifestaram-se contra a decisão da autarquia da Praia de passar a atribuir 15 mil escudos mensais durante seis meses a “alguns” ‘rabidantes’ e contestaram também contra o tratamento desigual na escolha dos vendedores subsidiados durante este período.

“O lugar de vendedeiras ambulantes é no mercado, não é na rua, nem no passeio”, reconheceu o responsável, questionando porque que a câmara até então não conseguiu oferecer-lhes um mercado onde todos possam vender e com melhores condições, tendo em conta que, lembrou, há quatro anos atrás esta equipa camarária havia definido como prioridade devolver o mercado as vendedeiras.

Segundo Juceliano Vieira, resolver este problema não é atribuir os 15 mil escudos aos ‘rabidantes’ tirados da rua e nem os isentar de taxas que devem pagar pelas suas barracas.

“Agora perguntamos, os comerciantes que permaneceram dentro do mercado durante época da covid-19 não venderam também, mas não foram para a rua. Eles não têm isenção da taxa, será que também não têm direito aos 15 mil escudos?”, questionou ainda, para quem esse valor não consegue sustentar nenhuma família durante um mês.

Ou seja, segundo Juceliano Vieira, está-se perante uma câmara que diz que o Governo não o disponibiliza verbas, mas que, entretanto, tem verbas para distribuir, e não tem verbas para construir um mercado e para continuar outras obras no município, como pequenas requalificações de praças ou mercados.

“Vemos que para o Festival da Gamboa foram distribuídos 30 mil contos, vemos que as associações desportivas receberam 15 mil ou mais, vemos que outras associações têm estado a receber 1.600 contos, é dinheiro para todo o lado que a câmara tem estado a distribuir para diferentes áreas”, criticou.

Na óptica da UCID, com esta decisão a autarquia praiense está a criar um hábito nos ‘rabidantes’, para depois ficarem viciados e reclamarem novamente esta verba, tendo reafirmado que o que os comerciantes merecem é mais dignidade para voltarem aos mercados.

Inforpress

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