Preços médios de exportação de cereais registam queda em Fevereiro de 2024

O Índice de Preços da Internacional Grains Council para os cereais e oleaginosas (IGC GOI2000) registou em Fevereiro uma redução de 7,0% face a Janeiro de 2024, divulgou hoje o Secretariado Nacional para Segurança Alimentar e Nutricional (SNSAN).

De acordo com o relatório mensal do Mercado Internacional nº156, de Fevereiro 2024 do SNSAN, os preços médios de exportação dos três principais cereais registaram variações médias em fevereiro face ao médio de janeiro de -9,3 % para o milho, de -4,5 % para o trigo e -0,5 % para o arroz.

A mesma fonte indicou a pressão da forte concorrência nas exportações e o abrandamento da procura internacional pressionaram o mercado mundial de trigo, sendo que nos Estados Unidos as preocupações com o ritmo lento das exportações e os movimentos cambiais pressionaram as cotações de trigo.

Na União Europeia, frisa o relatório divulgado, as ofertas mais baixas do Mar Negro fizeram aumentar a concorrência da região, influenciando o mercado de trigo, enquanto que na Rússia a tentativa dos exportadores em procurar garantir negócios antes do início da quota de cereais em meados de Fevereiro pesou nos preços de trigo.

O aumento de ofertas a preços competitivos dos portos de águas profundas da Ucrânia, ressalta o documento, impulsionou a queda nos preços mundiais de exportação de milho, sendo que nos Estados Unidos, a perspetiva de boa colheita no hemisfério sul justificou a baixa nos preços.

Na Argentina, a previsão melhorada para a próxima colheita sustentou as cotações, no Brasil, os preços caíram cerca de 13,9 % face ao mês de janeiro e as cotações mundiais de exportação de arroz registaram uma baixa face ao mês anterior.

Na Tailândia, a redução na procura pressionou os preços de arroz para uma baixa mensal; no Vietname, as cotações de exportação de arroz recuaram devido à pressão sazonal da colheita e nos Estados Unidos, os preços de arroz apresentaram uma alta de cerca de 6,5% face ao mês anterior.

Quanto a açúcar, refere o relatório da SNSAN, as cotações mundiais de exportação registaram uma tendência estável em relação ao mês anterior, enquanto que na Índia e Tailândia as preocupações com o baixo nível de produção foram contrabalançadas pelo bom ritmo das exportações do Brasil e perspetivas melhoradas na produção mundial de açúcar.

No referente ao abastecimento de trigo, o relatório indica que com as colheitas já concluídas, a produção mundial foi estimada em 788MT, a segunda maior já registrada e 2 % acima da média recente.

O consumo mundial foi previsto em 803MT, uma queda mensal de 1MT, pelo que considerando o crescimento populacional e a uma mudança contínua nas dietas dos consumidores em partes da Ásia e da África, o consumo humano deverá atingir um recorde de 553MT (+1).

“Apesar da forte concorrência de alternativas, prevê-se que a procura mundial de rações aumente para 155MT (+3%), com a ração de trigo na China e na União Europeia impulsionada por abundantes fornecimentos de qualidade inferior”, lê-se no relatório divulgado pelo SNSAN.

A mesma fonte sublinha ainda que o stock mundial deve atingir cerca de 165MT, representando uma baixa de 15MT em relação à temporada passada.

A previsão do comércio mundial referente ao ano 2024/2025 prevê uma subida de 1% (799MT) ao ano na produção agrícola e um aumento marginal no consumo mundial (804MT), com a expansão dos consumos humano e industrial contrabalançados por uma redução na ração.

O comércio mundial referente ao ano 2024/2025 foi projetado em 196MT, o que significa um aumento mensal de 1MT, 2% inferior em relação ao ano anterior, incluindo compras menores por parte da União Europeia.

Para este ano agrícola o stock mundial, prevê segundo SNSAN, uma diminuição muito mais acentuada inclusive nos principais exportadores.

Inforpress

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