Presidente da AJEC diz que é preciso “limar as arestas” entre instituições financeiras e a classe empresarial jovem

O presidente da Associação de Jovens Empresários de Cabo Verde (AJEC), Lenine Mendes, considerou esta quinta-feira, 27, que as medidas governamentais vocacionadas a apoiar a classe empresarial jovem têm sido “bem-intencionadas”, mas precisam ser “limadas” junto das instituições financeiras.

Lenine Mendes fez este pronunciamento em entrevista à Inforpress a propósito do dia mundial das micro, pequenas e médias empresas, que se assinala a 27 de junho, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O responsável admitiu que têm havido “boa vontade”, por parte do governo, mas ressalvou que precisam ser “limadas as arrestas”, junto das entidades financeiras para que não sejam “mais do mesmo”, uma vez que a classe empresarial jovem tem vindo a deparar com os mesmos problemas de burocracia no momento em que procuram o financiamento para os seus projetos.

“Ambiente de negócio em si neste momento é favorável, e tem sido apresentado medidas que na teoria são excelentes, desde incentivos, redução de cargas fiscais, bem como acesso a financiamento, mas que precisam sair da teoria”, constatou, frisando que o financiamento ainda constitui um dos grandes constrangimentos para os jovens empresários.

Lenine Mendes defendeu que existe uma “boa vontade” por parte do governo na criação de medidas de políticas, para proporcionar aos jovens empreendedores e empresários a conseguirem obter o financiamento para os seus projetos, no entanto, lembrou que a intenção e a execução não estão a coincidir, razão pela qual os potenciais beneficiários não estão a conseguir usufruir destas medidas.

Aquele representante da classe empresarial jovem enalteceu a criação da Pró-Garante, Pró-Empresa, e recentemente do Banco Jovem e Mulher, todavia, argumentou que a prática não está a funcionar de forma cabal, porque muitas vezes os promotores submetem os seus projetos juntos destas instituições, mas aguardam meses e anos para obterem uma resposta e acabam por desistir.

Por estas e outras razões, Lenine Mendes alertou que é preciso mais celeridade neste processo, argumentando que em Cabo Verde o empreendedorismo é “muito romantizado”, visto que se fala muito das oportunidades e das instituições que apoiam as micro, pequenas e médias empresas, mas que não estão a funcionar de forma cabal para dar respostas às expectativas dos jovens.

Lenine Mendes mostrou-se preocupado com a escassez de mão-de-obra qualificada no país em todos os ramos da economia, uma vez que, segundo ele, um número significativo de jovens com qualificação profissional e não só, está a deixar a terra natal à procura de melhores salários além-fronteiras, o que considerou ser benéfico para aqueles que estão a fazer isso, mas que está a dificultar a classe empresarial.

“Existe trabalhos por fazer e existem jovens que estão a investir e querem investir, mesmo com estes grandes constrangimentos, mas o problema neste momento é encontrar mão-de-obra qualificada no país, devido à fuga dos jovens para o estrangeiro”, constatou.

Por isso, aproveitou a ocasião para exortar as universidades e as instituições de formação profissional a apostarem nas áreas em que o mercado está a precisar neste momento, explicitando que a classe está motivada para contribuir para a diversificação da economia, mas que é preciso primeiro, a criação de condições básicas como transportes inter-ilhas, água, energia, que na sua opinião ainda são deficitários e muito caro no país, dificultando assim o ambiente de negócio com grande peso nos custos fixos.

Realçando que, o sector do turismo ainda está a beneficiar na sua maioria as grandes cadeias internacionais que operam no país, deixando praticamente de fora a população residente, Lenine Mendes garantiu que a AJEC vai continuar a dialogar com as entidades governamentais, sempre que forem solicitados, levando sempre a preocupação da classe, tanto residente como na diáspora.

O presidente da AJEC deixou uma mensagem de encorajamento aos jovens empresários neste dia, lembrando que a situação não está sendo fácil, mas que devem acreditar no potencial do país e continuarem porque dias melhores virão.

Inforpress

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